Tem dias que o coração parece querer pular pra fora do peito, ansiedade bate, o trabalho fica mecânico e eu vou deixando cada vez mais de ouvir os sussurros da minha alma pedindo silêncio. Eu sei que na verdade a gente nunca vai conseguir controlar tudo, por mais que a gente tente, mas, eu também aprendi que eu posso escolher quais dos demônios eu preciso enfrentar, e dos quais eu só preciso desviar.

Eu consigo olhar pro espelho e me orgulhar apesar dos quilos a mais que me abraçaram carinhosamente, do cabelo querendo fugir e das olheiras que desenham meu rosto. Passei por poucas e boas mas continuo aqui, firmei os pés no chão como quem tem certeza de onde está e pra onde vai, e olho com mais caridade pra cada uma das minhas derrotas. Há semanas em que a gente vence tudo em um dia só como um herói no final do filme, e há outras, em que você precisa sossegar a cabeça numa conversa com um amigo e entender que resiliência também é um super poder.

Vou me desviando do amor como quem encontra um conhecido, abraça, troca algumas palavras e se despede; convida pra um café em casa mas sabe que não vai aparecer. Vou aprendendo a ser prático na liquidez desse mundo, dou motivos pra ficar mas, eu abro a porta com toda a gentileza caso alguém queira partir. Por incrível que pareça eu vou crescendo cada vez mais a medida que vou deixando pedaços pra trás; opiniões que eu moldei, pessoas que não vieram pra ficar. Coloquei os pés no chão e senti que estou vendo mais longe, eu cresci aqui dentro.

Talvez assim como as presenças, as distâncias também sejam efêmeras, talvez eu me encontre com velhas histórias no futuro, e ou, com sorte, viva outras tão mais intensas que me façam esquecer os buracos que hoje parecem tão grandes, afinal, é assim mesmo, já teve dias que eu achei que morreria, e não morri. Sigo equilibrando a empatia e a alteridade mesmo depois de algumas long necks. Tudo bem se você não vencer sempre.

Talvez, a vida seja uma prova de resistência, não importam quais sejam suas habilidades, seu porte físico, equilíbrio ou coordenação, mas quem mantem-se concentrado e vai firme até o fim.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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