Lual Mayen hoje trabalha num escritório moderno, situado em um bairro de classe alta em Washington, e está prestes de lançar a sua própria empresa, a Junub Games, além de estar programando ao mesmo tempo seu mais recente produto: um jogo de construção da paz chamado Salaam.

Ele desenvolveu a primeira versão do Salaam, que significa “paz” em árabe, enquanto ainda era um refugiado, após ter tido sua casa destruída pela guerra no Sudão do Sul.

“Essa é a coisa da vida”, diz Mayen. “Se você está passando por algo difícil e sobrevive, a próxima coisa é: como você sai disso? Como você utiliza essa oportunidade para melhorar sua vida?”

Atualmente com 24 anos, Mayen é desenvolvedor de videogames e lidera sua empresa usando as experiências de seu passado para os seus produtos: são todos jogos voltados à construção da paz e à resolução de conflitos.

Mayen, como a grande maioria das outras crianças no norte de Uganda, gostava de jogar futebol ao mesmo tempo em que procurava comida no mato e se escondia no subsolo das bombas noturnas lançadas pelo governo sudanês que os moradores nomearam de “antílope”.

A maior parte de sua jovem vida foi duvidando se viveria para ver o dia seguinte. Muitos dos seus amigos foram recrutados ainda crianças para ser soldados.

Mayen perdeu duas irmãs mais velhas por causa de doenças durante a sua fuga do país. Embora ele fosse jovem demais para se lembrar delas, ele ainda encontra formas de honrar a memória delas.

Em 2017, Mayen foi convidado a servir como consultor do Banco Mundial e recebeu um G Visa para se mudar para os Estados Unidos.

Quanto ao jogo de Mayen, o Salaam existe em uma categoria distinta no mundo dos jogos, mas alguns especialistas dizem que ele podem ter um impacto legítimo na resolução de conflitos à medida que a indústria de videogames está crescendo cada vez mais.

Mais de oito em cada 10 adolescentes dizem que possuem um console de videogame ou têm acesso a um, e 90% dos adolescentes dizem que jogam em um computador, console ou celular, segundo uma pesquisa do Pew Center de 2018.

“[Os jogos] estão se tornando desta maneira onipresente em que as pessoas estão interagindo”, disse Leo Olebe, diretor global de parcerias de jogos do Facebook que se conectou com Mayen no Game Awards de 2018.

“Quando você tem aqueles momentos em que ensina as pessoas a interagir de maneira civilizada, respeitosa, de maneira a promover a paz e a resolução de conflitos versus destruir o mundo, é aí que tudo começa”.

Fato é que o jogo de Mayen pode oferecer um benefício no mundo real para os refugiados. Ele também procura educar seus jogadores sobre a vida difícil que ele e sua família enfrentaram.

Com informações do Washington Post

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