Joilon Santos, um pedreiro de Feira de Santana, está aprendendo a dançar balé para acompanhar as filhas que são autistas.

O pai se divide entre o trabalho nas obras e as aulas da filhas. Junto da esposa Jaqueline, Joilson acompanha de perto e participa das aulas de balé das duas filhas, Isabele e Iasmin, que compartilham o espaço com mais 8 crianças, todas diagnosticas com autismo.

A dança faz parte de um método para tratamento, o Ballet Azul, cor que é utilizada para representar o autismo.

Joilson, que é o único homem na aula, calça uma meia preta para substituir o fato de não ter uma sapatilha.

“Onde que eu imaginava que ia fazer isso?”, brinca.

“Quando que imaginei que meu marido, bruto desse jeito, ia dançar balé?“, brinca a esposa, Jaqueline.

O mais difícil é o deslocamento, já que a família precisa atravessar a cidade inteira até o local das aulas. A expectativa é que eles encontrem um local mais próximo de casa, pois a família é humilde e vive num bairro classificado pelo IBGE como um dos mais pobres do estado.

Mas falando sobre a felicidade de participar com as filhas, Joilson até já se apresentou com elas e a plateia gostou, porque ninguém tirava os olhos do pai, o único dançando.

“Ele é muito tranquilo. É o comportamento de quem sabe o que está fazendo, o que se deve fazer, sem nenhum afetamento, nenhuma exibição”, disse o diretor de atividades culturais, Luiz Augusto Oliveira.

A notícia da apresentação de Joilson ao lado das filhas logo percorreu o bairro onde moram. Infelizmente, ainda somos um país preconceituoso em diversas frentes, e na manhã seguinte, a família ouviu bem do lado de fora da casa alguém que gritava para que “ele virasse homem”.

“Não gosto nem de falar sobre isso. Já falaram muita coisa feia para a gente”, recorda Jaqueline.

O irmão de Joilson, Juaci, também foi outro que provocou: “Tá fazendo balé agora, Joilson?”.

Até então, o mais velho dos sete filhos da família era um homem reservado e “rústico” nas palavras do irmão. “Achei estranho, ele é o mais rústico da família. Mas vi depois que ele tem sensibilidade a ponto de aprender até balé para ajudar as filhas”, disse Juaci.

No trabalho, os colegas de Joilson também foram preconceituosos. “Quer dizer que você é bruto aqui, mas lá é mansinho”, repetiu, Joilson, que tenta levar na brincadeira.

Hoje ele não se importa mais com os comentários. “Aqui é discriminação de tudo”, comentou.

Com informações do Correio da Bahia / Fotos: Marina Silva/CORREIO

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