Eu tava lendo aquele livro que você indicou, comecei ele tem algumas semanas mas, confesso, achei um pouco sem graça e larguei no criado mudo, chegou parecer que era parte da decoração como alguns outros que tem por aqui. Depois de vencer algumas páginas eu entendi o porquê você queria que eu lesse: “amar é suportar a falta”, dizia um trecho.

Levei algum tempo em silêncio, tava lembrando da gente sentado dentro do carro enquanto eu engolia o choro e deixava você ir. É que eu queria te pedir pra ficar, mas fui eu que sempre preguei que amar é saber deixar ir. Éramos o casal perfeito como todo mundo dizia, mas, depois de um tempo a gente percebe que quem queremos ser as vezes não cabe no outro, e não é que isso seja errado, é nossa felicidade individual querendo romper o casulo.

Levei um bom tempo pra entender sobre alteridade, abraçar quem eu quero ser no futuro, acordar cedo, derrubar os demônios diários e torcer pra gente se encontrar vez ou outra.

Eu sei que eu vou estar diferente, você também, e nós dois vamos rir das mesmas piadas, mas vamos nos apaixonar novamente por cada pedacinho novo que brotou em quem nós somos. Aliás, essa deveria ser a regra: aprender a amar quem o outro vai se tornando.

Amar é mesmo suportar a falta: em si, e no outro. Amar é deixar o ego secar e regar quem somos, não pelo outro, mas, apesar do outro. A gente vai seguir a vida, tropeçar num bando de gente, olhar pro celular num domingo à noite com vontade de dizer que sentiu saudade, mas, a gente vai aguentar, porque a gente é foda junto, foda pra caralho, mas, a gente ainda é muito foda, cada um por si, crescendo, evoluindo, errando a beça também mas, olha pra gente, que orgulho né? Amar é ter orgulho de quem o outro se torna apesar de nós.

Imagem de LEEROY Agency por Pixabay

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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