O ser humano precisa de leis, de regras, de limites, pois a liberdade absoluta dá espaço para aqueles indivíduos que não se respeitam nem respeitam ninguém. No entanto, tais limites devem sempre estar relacionados à necessidade de as pessoas respeitarem umas às outras, sem invadir o que não se deve em terrenos que não são seus, ou seja, trata-se da necessidade de não pisarmos ninguém só pensando em nós mesmos.

No entanto, existem pessoas que simplesmente parecem necessitar de ditar regras, de mandar na vida dos outros, de impor o que é certo ou errado, baseando-se tão somente em suas visões de mundo. Confundem o que é seu com o que deve ser de todo mundo. Têm certeza de que o que pensam é o certo, o melhor, o desejável como unanimidade. Não aceitam nada que saia dos limites de seu mundinho de aparências e de regras esdrúxulas.

A questão é que cada um interpreta o mundo de uma maneira própria, de acordo com o que possui dentro de si, por isso ninguém é igual a ninguém – somos, no máximo, semelhantes em algo. A leitura religiosa, a interpretação de regras, o entendimento de normas, tudo depende do olhar de cada pessoa. E, assim, os indivíduos vão se aproximando de outros cujas ideias são afins, enquanto se distanciam de quem pensa diferente.

O problema ocorre quando um grupo toma suas ideias como as únicas válidas e absolutas, sem se permitir conhecer os outros lados, sem conseguir se colocar no lugar de quem não reza a mesma cartilha. Sem respeitar. Há que se respeitar o diferente, a contramão, o contraditório, quando o outro lado não estiver invadindo o espaço de ninguém. Conviver requer a maturidade de deixar que cada um viva à sua maneira, pois, se a pessoa não estiver sendo desrespeitada, as escolhas do outro não lhe dizem respeito.

Muitas pessoas que se prendem demasiadamente a convenções sociais, a regras, a joguinhos de aparências e acabam, infelizmente, sendo intolerantes com quem vive à revelia desses ditames, com quem é livre, com quem se liberta da necessidade de seguir o lugar comum. Quem vive de forma livre e autêntica ofende quem sufoca a própria vida sob imposições lá de fora. É insuportável aos donos da verdade assistirem ao outro vivendo aquilo que eles não têm coragem de ser. E então querem destruir, mudar, acusar e julgar quem lhes lembra o tempo todo de sua covardia. Pessoas livres trazem dor a quem se sente preso; daí o ódio que recebem.

Portanto, viver o que se é não será fácil, mas é o melhor a se fazer. Se quiser tomar um porre numa segunda-feira, tome. Se quiser ir ao cinema sozinho, vá. Use a roupa que é do seu jeito, corte o cabelo conforme deseja, viva hoje, que é tudo o que se tem. Desde que não pise ninguém por aí, você tem o direito de ser feliz do seu jeito. E ser feliz é para ontem. Sua vida, suas regras.

***

Foto de Harley-Davidson em Unsplash

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



LIVRO NOVO




Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

2 COMENTÁRIOS

  1. NÃO vou tentar te provar que EU não julgo o seu MEDO. EU é que estava errada, querendo fazer VOCÊ sair da sua VIDA, politicamente correta. EU sei que VOCÊ não quer outra pessoa se não sua espousa. VOCÊ NUNCA prometeu NADA para mim. É tanto que nunca me procurou. Mais NÃO podia mais permanecer nessa situação MINHA. EU era que estava me iludindo com minhas neuras. Te admiro muito por poder resistir às tentações do mundo. VOCÊ está totalmente certo. Mais EU só fiz tudo isso, respondendo às mensagens virtuais do Facebook que EU, EU e somente EU criei. Porque EU pensava que era VOCÊ postando e que VOCÊ tivesse sentindo a algo por mim. Mais NÃO se preocupe Nem que EU tenha que tomar uma atitude totalmente diferente das que tomei até agora. VOU liberta VOCÊ da VIDA 👍

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here