“Coisas de respeito, como homens de respeito, não trazem assim na mão os seus motivos. É indecoroso mostrar os cinco dedos. É de pouco valor aquilo que primeiramente tem de se provar.” – Nietzsche, “Crepúsculo dos ídolos”

O Nietzsche tinha muita sabedoria e profundidade em praticamente tudo que escrevia. Esse pensamento me levou a refletir sobre várias questões e quero compartilhar com você nesse texto.

Uma das principais mensagens que ele transmite é sobre a humildade em contraposição ao orgulho e a vaidade. As pessoas mais bonitas, no meu entendimento, são aquelas que sabem trabalhar em silêncio em prol do bem, do amor, da paz, da união, da partilha etc.

Já comentei em outros textos, mas não custa retomar. A vaidade é um comportamento muito deletério e autodestrutivo. Ela em sua raiz significa “vacuidade” ou “vazio”. Ou seja, alimentar a vaidade é alimentar os nossos vazios interiores. Percebe o quanto isso é forte?

Se você faz uma boa ação. Se você contribui com algo que vai ajudar um grupo ou mesmo uma família pequena, o que você ganha em divulgar em todas as redes sociais? Em se autopromover como alguém caridoso, generoso, bondoso?

Já conheci várias pessoas com esse perfil e me senti mal perto delas, porque percebia essa vaidade tola. Porém, o que me deixa feliz é que ao longo da vida conheci mais pessoas humildes, que sabem ajudar sem colocar um holofote sobre si mesmas e gritarem em alto-falantes os seus feitos. As humildes têm uma vibração diferente, é difícil até mesmo colocar em palavras escritas a sensação gostosa de estar na presença delas.

Outra reflexão bem interessante é sobre as comparações, que nada mais são do que expressões do nosso EGO. Quando queremos provar o que quer que seja pra alguém, é porque estamos super inseguros. Vou dar um exemplo bem simples para que você entenda bem.

Uma pessoa é muito boa tocando um instrumento musical como, por exemplo, violão. Ela não precisa pegar seu violão e sair por aí tocando os arranjos mais complexos das músicas do Chico Buarque pra dizer que sabe tocar. Se em algum momento alguém pede que toquem violão, ela simplesmente leva o seu e diz: “Bem, eu posso tocar se quiserem. Quais as músicas que vocês escolheram pra gente animar esse momento?”. Você percebe como é bonito agir dessa maneira?

Outro exemplo clássico são doações financeiras para alguma causa social. As pessoas vaidosas doam altas quantias e ficam falando pra “Deus e o mundo” quanto doaram. Algumas chegam ao cúmulo de dizer: “E vocês? Já fizeram suas doações? Não percam tempo?”. Nessa hora lembro até as sábias palavras do mestre Jesus na passagem da viúva pobre na qual ele diz: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva pôs mais do que os outros. Pois todos aqueles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra; esta, porém, deu, da sua pobreza, tudo o que lhe restava para o sustento” – Marcus 12: 42-44.

Podemos levar essa reflexão inclusive para o âmbito do conhecimento. É muito bonito ver as pessoas que têm muito conhecimento, mas que não saem por aí mostrando para todos o quanto sabem ou o quanto estudaram. Isso muitos vezes é uma comunicação violenta sabia? Uma das maiores referências na minha vida é o mestre Paulo Freire, que era uma enciclopédia ambulante, mas ouvia desde o maior PhD de Harvard até o pedreiro da construção da casa ao lado com a mesma atenção, sempre aprendendo algo novo com ambos. Uma frase dele que me norteia como professor é essa aqui: “Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender”. Uau! Imagine se todos os professores e alunos pensassem assim? O Brasil já seria um país de 1º mundo!

Humildade! Esse é o cerne da mensagem do Nietzsche. Ela é uma das maiores virtudes humanas. É ela que, como ele mesmo diz, torna uma pessoa profundamente respeitável…

Por Isaias Costa

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Isaias Costa
Bacharel em Física. Mestre em Engenharia Mecânica e Psicanalista clínico. Trabalha como professor de Física e Matemática, mas não deixa de alimentar o seu lado das Humanas estudando a mente humana e seus mistérios, ouvindo seus pacientes e compartilhando conhecimentos em seu blog "Para além do agora", no qual escreve desde 2012.

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