Muita gente não sabe, mas a TopModel Gisele Bündchen foi rejeitada como modelo 42 vezes no início da carreira. “Lembro que me diziam que meu nariz era muito grande ou que meus olhos eram muito pequenos, que eu nunca poderia aparecer na capa de uma revista”, contou a modelo à revista People. O desfecho dessa história, porém, todos conhecem: Em 2015, ano em que se aposentou das passarelas, Gisele Bündchen ganhou 44 milhões de dólares (aproximadamente 152 milhões de reais), e continua brilhando, sem nunca ter precisado se submeter à uma plástica do nariz ou desistir de seu sonho.

Muitas vezes condicionamos nossa autoestima e amor-próprio à opinião que os outros têm a nosso respeito, e vamos do luxo ao lixo em segundos, confiando muito mais no olhar de reconhecimento ou reprovação que recebemos do lado de fora do que em nossa própria habilidade de nos apreciar e valorizar.

As pessoas vão continuar criticando, dizendo que você não fica bem com essa roupa ou corte de cabelo, que você deveria agir assim ou assado, que seria de bom tom você escolher melhor o filtro das fotos no Instagram. Do mesmo modo, algumas pessoas vão continuar indo embora, independente do que você faz ou representa para elas. Então aprende uma coisa: O medo de ser abandonado ou criticado não pode ser o modulador de suas ações. Você não pode modificar sua essência movido pelo medo de perder alguém. Você não pode condicionar seu jeito de ser à ameaça de ser criticado ou abandonado.

Nem sempre é fácil bancar o desejo de ser quem a gente é. É preciso muita coragem, maturidade, autoconfiança e amor-próprio para nos assumirmos por completo, correndo o risco de quebrar algumas promessas e desagradar a alguns, mas certamente sustentando nosso desejo de autenticidade, coerência e autorespeito.

O que é defeito para uns, pode se tornar o atrativo principal para outros. O que alguns rejeitam, pode ser a “Pedra Angular” para tantos. Em um momento ou outro da vida teremos que lidar com o desprezo, a crítica e a rejeição, mas isso não anula nosso valor. Isso só nos lapida e ensina que ninguém é unanimidade ou cabe em todos os lugares.

Nem todo mundo vai te dar valor. Nem todo mundo vai ser recíproco com você. Nem todo mundo vai aprovar seu guarda roupa sisudo ou muito extravagante. Nem todo mundo vai sorrir quando você chegar. Porém, nem por isso você deve desistir de ser quem é. Nem por isso você precisa abrir mão da sua espontaneidade e originalidade. Não fuja de você. Não abandone o seu jeito. Não sacrifique sua essência pelo medo de não ser aprovado.

Não se ofenda por tão pouco, nem se torture pela necessidade de reconhecimento e validação. Nem sempre a gente é aceito, e está tudo bem. Correr atrás de aprovação é um processo desgastante, desastroso e muito doloroso; e nos condena a viver sob o peso do julgamento alheio, sem leveza ou absolvição.

Um dia alguém vai querer ficar. Um dia alguém vai enxergar em você aquelas qualidades que nem todos enxergam de primeira, mas que com o tempo e alguma habilidade, transbordam com gratuidade. Mas antes disso você vai encontrar seu lugar no mundo, e a sensação de pertencimento lhe dará a certeza de que valeu a travessia, pois a insistência na felicidade nada mais é que o encontro com a autenticidade.

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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