Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que 16 milhões de brasileiros sofrem de diabetes. Nos últimos dez anos, a taxa de incidência da doença cresceu 61,8%. E um dos maiores temores dos portadores da doença é a perda de visão. Mas uma boa notícia surgiu para trazer esperança a quem convive com esse temor: um grupo de pesquisadores das faculdades de Ciências Médicas (FCM) e de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveu um colírio para a prevenção e combate da degeneração gradativa que ocorre com frequência nos olhos das pessoas com diabetes, a chamada retinopatia diabética.

“A grande vantagem desse achado é o fato de não ser invasivo. Por ser tópico não implica em riscos e cria uma barreira contra as alterações neurodegenerativas que afeta os diabéticos”, explicou a pesquisadora da FCM Jacqueline Mendonça Lopes de Faria.

Ainda de acordo com a cientista, a descoberta surgiu de uma pesquisa que já se desenvolve há 20 anos. “É consequência de um estudo de 20 anos para entender o mecanismo de ataque das células nervosas e de irrigação sanguínea no tecido ocular.”

A pesquisadora também ressalta que a hiperglicemia – excesso de açúcar no sangue no organismo dos diabéticos – faz com que vários órgãos sejam comprometidos. Em cerca de 40% dos casos, a doença leva a complicações na retina provocadas pelo efeito tóxico da glicose. O sistema nervoso e vascular da retina passam a ter alterações progressivas que podem levar a cegueira. “Isso ocorre, muitas vezes, justamente no momento em que a pessoa está em idade ativa.”

O tratamento da retinopatia diabética é feito atualmente com opções invasivas, como a fotocoagulação com laser, injeções intravítrea ou mesmo cirurgia. A expectativa dos pesquisadores da Unicamp é que, além de servir para a cura da retinopatia diabética, a descoberta dessa tecnologia possa ser benéfica também no tratamento de outras anomalias da visão, como o glaucoma.

A eficácia da fórmula já foi comprovada em testes em laboratórios da Unicamp. Antes de ser transformado em medicamento para a distribuição e comercialização, porém, o colírio tem de ser submetido à fase clínica de testes, com os ensaios em seres humanos. Ainda não há previsão de quando isso vai ocorrer porque os testes dependem do interesse de empresas em fazer o licenciamento da tecnologia junto com a agência de inovação da universidade, a Inova Unicamp. No teste com os roedores, não foram observados efeitos adversos e o colírio mostrou-se eficaz na proteção do sistema nervoso da retina.

Além da pesquisadora Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, colaboraram na pesquisa a professora Maria Helena Andrade Santana; a pesquisadora Mariana Aparecida Brunini Rosales e a aluna de mestrado Aline Borelli Alonso. Os estudos receberam financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), vinculada ao Ministério de Educação.

E essa é mais uma prova da importância dos trabalhos de pesquisa no Brasil. A nós cabe parabenizar e incentivar o trabalho dos nosso pesquisadores brasileiros.

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Redação CONTI OUTRA. Com informações de Agência BrasilSorocabaniceS

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