Quanto mais queremos ir, mais confundimos o nosso próprio ritmo. Somos vítimas de uma vertigem que nos impede de ver além das ocupações diárias, do movimento constante por meio do qual nos escapa cada segundo da vida desperdiçada.

Esse estado de hiperatividade nos leva a viver através da inércia, no piloto automático, dedicando toda a nossa energia a objetivos externos que desgastam com o tempo e nos fazem esquecer quais são as coisas realmente importantes da vida.

Pensamos que quanto mais ocupados estamos, mais tiramos proveito de nossas vidas, e estamos até orgulhosos de ter uma programação completa, de não ter um minutos livres. No entanto, quando saltamos de um compromisso para outro, deixamos que os outros decidam em nosso lugar. Em seguida, mais ou menos inconscientemente, a ditadura social, que nos encoraja a ir mais rápido e mais rápido porque ela sabe que a velocidade tira o tempo para pensar, tempo precioso para se conectar com nós mesmos e decidir o que é o que nós realmente queremos.

Quando vivemos com essa pressa, estamos constantemente ansiosos por um futuro que já esteja programado e decidido praticamente planejado a cada posso. A ditadura social nos encoraja a fazer mais e mais coisas em menos tempo, mas isso não nos traz necessariamente mais satisfação.

Hoje a pressa não se limita ao trabalho, contaminou todas as esferas da vida, estendendo-se inclusive ao lazer. Devemos absorver mais em menos tempo, tentar mais em menos tempo, tirar uma foto rápida e passar para a próxima … fotos que, a propósito, servem de um lembrete de que “estava” lá, uma vaga lembrança do que poderia ser mas não era.

Esta pressa não deixa espaço para a pausa necessária que convida à reflexão e criatividade. Silêncio e descanso, duas necessidades básicas, praticamente se tornaram um luxo. Essa pressa realmente reduz nossa capacidade de prazer por prazer, e nos impede de desfrutar os pequenos detalhes.

Há outro jeito de viver: o instante eterno

Se queremos viver em sociedade, às vezes não temos escolha a não ser nos ater à pressa moderna. Não há muitas alternativas, especialmente no trabalho. No entanto, devemos garantir que não se torne o padrão que engloba a nossa vida. Devemos proteger com zelo o direito de colocar nossa vida em câmera lenta para aproveitar o que queremos, silenciosamente e sem culpa.

No budismo há um conceito muito interessante que pode se tornar uma espécie de antídoto para a pressa: o momento eterno. De acordo com essa filosofia, se vivemos plenamente presentes no aqui e agora, o passado e o futuro estão borrados. Quando estamos plenamente conscientes, quando nossa mente não está naquilo que nos resta fazer ou naquilo que já fizemos, mas no que estamos fazendo, desfrutamos mais.

Então a vida deixa de ser uma corrida de obstáculos a superar e se torna uma realidade maravilhosa de se experimentar. É uma mudança que vale a pena.

Traduzido e adaptado do site Rincón Psicologia

Imagem de capa: Pexels

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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