psicologia

Brinque com seus filhos enquanto eles querem brincar com você

Quando minha filha fez cinco anos, no meio de uma brincadeira inocente, ela disse que gostava mais do papai do que de mim. Perguntei:

– “Por quê? Eu sou tão legal e sempre cuido bem de você”.

Ela respondeu:

– Porque você trabalha muito e tem pouco tempo para brincar comigo.

Foi como se tivesse recebido um soco no estômago. Quase não dormi aquela noite. Fiquei horas rolando na cama, pensando que ela tinha razão. Nos últimos meses tive muito trabalho extra a fazer. Foram muitos os dias que tive que ficar até mais tarde na empresa. E quase incontáveis dias que levei trabalho para casa.

Sabe quando você está em casa, mas fica o tempo todo com o celular na mão? Então, era eu.

O celular é um vício incrível. Acho que ainda não aprendemos a lidar com ele. Tipo criança quando ganha um brinquedo novo e por um tempo só quer saber dele.

A humanidade como um todo não sabe lidar com o celular.

Imagine: – Quantas horas eu troquei a companhia dos meus filhos para ficar resolvendo problemas do trabalho? Ou até mesmo navegando na internet as vezes… Resolvi que tinha que mudar.

No outro dia conversei com meu chefe. Nada mais de horas extras, nada mais de responder mensagens do trabalho em casa, pelo menos das 18 as 22, que é o horário que posso estar com as crianças. Não poderiam mais contar comigo nestes horários.

Fiquei com medo de ser mandada embora, despedida, é claro. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário. Meu chefe entendeu perfeitamente e aprovou minha atitude. Disse que ele também tinha crianças pequenas e achava que deveria tentar implementar o que eu estava sugerindo na casa dele também.

Resultado: Após aquele dia, me transformei em outra mãe. Brinquei todos os minutos possíveis com meus filhos e sei que deixei uma bela lembrança para eles. E por incrível que pareça, apareceu um resultado inesperado no fim do mês.

Antes eu não reparava, porém gastava muito dinheiro em brinquedos para as crianças. Elas sempre tiveram tudo o que eu nunca tive na infância. Acho que instintivamente e sem perceber, eu usava o dinheiro para tentar compensar as horas que não estava presente. Ou seja, trabalhava muito com horas extras para ganhar dinheiro que eram gastos em brinquedos.

Hoje isso mudou completamente. Eu sou o maior brinquedo das crianças. Elas nunca mais pediram todos aqueles brinquedos que viram nos comerciais de TV. Ou seja, o meu dinheiro das horas extras não veio mais, entretanto, o dinheiro que tenho no fim do mês é o mesmo.

Incrível, não é?

***

Fonte: Mágicas de Mãe Via Revista Raízes

Imagem de capa: Pexels

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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