É incrível chegar ao fim do ano riscando metas da lista e, consequentemente, ser grato às conquistas e feliz por mais um ano que passou. Mas nem todo ano é o nosso ano e a dificuldade está em se sentir completo ainda que durante os doze meses a vida só tenha nos dado “não”.

Preciso confessar que em 2018 eu fracassei. Sim, isso mesmo. Um fracasso. Mas por que não nos sentimos confortáveis para falar isso em voz alta mais vezes? É sempre um disparo de metralhadora de cobranças de todos os lados:
“O ano vai começar, faça planos”
“Lista de metas”
“Check”
“Resoluções”
“Check”
“Comer saudável. Academia. Alface. Pilates. Macadâmia com chia”
“Check”

É natural que a gente queira se reinventar na nossa melhor versão. Mas a vida acontece nos intervalos, o crescimento acontece no erro, ninguém que está sempre de pé sabe o valor de uma reerguida. Então hoje estou aqui para dizer que falhei, mas cresci. Eu não cumpri as minhas metas, eu não dei check nos meus quadradinhos, eu tentei, tentei e não cheguei lá. E agora? Não posso postar foto no instagram na virada do ano? Vão confiscar minha carteirinha de gratidão?

Por que só somos gratos quando as coisas deram certo?

Eu olhei para o próximo com amor. Eu arrumei a minha cama . Eu não briguei com o espelho. Eu plantei uma semente. Eu esqueci de regar a planta e ela morreu. Eu comprei outra semente. Eu lembro de regar quase todo dia. Eu me senti sozinha. Eu quis estar sozinha. Eu quis companhia e fui obrigada a ficar sozinha. Eu parei de me sentir triste sozinha. Eu tirei fotos. Eu precisei reafirmar as minhas certezas. Eu fiquei ainda mais confusa. Mas eu estou aqui, não estou? Eu não me perdi no embaralho da minha cabeça. Eu ainda sei achar o caminho de volta, mesmo quando sinto que me esqueci dentro de mim. Eu posso ser a minha pior inimiga, mas eu sou a única que pode me salvar.

Eu recebi “não”. Da vida. De oportunidades. Das minhas tentativas. Dos meus pedidos. Das estrelas. Eu bati em portas que não se abriram. Eu não fui o suficiente. E tudo bem. Está tudo cem por cento, mil vezes daqui até a lua bem. Eu agradeço ao universo por ter me negado. Agora eu sei que sobrevivo ao não. Agora eu sei que nem sempre lutar é sinônimo de vitória. Agora eu sei que apesar de incontáveis descidas pelo barranco eu ainda consigo me levantar, sacudir a terra dos ombros e assumir o volante de novo. e de novo e mais uma vez.

Obrigada, 2018
“Thank u. Next”

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Najara Gomes
"Paulista. Pisciana. 21 anos de excesso de sentimentos. Nada como um gole de café e uma dose de drama pra passar o dia. Meu bem, eu exagero até nas vírgulas."

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