Cada pessoa sente o mundo, a vida, as pessoas, à sua própria maneira. Cada pessoa interpreta o que chega de acordo com o que possui dentro de si. Cada pessoa é um universo, um amontoado de experiências que doem e se digerem de forma única ali dentro. Ou seja, impossível adivinharmos tudo sobre o outro, bem como conseguirmos entender cada pessoa em toda sua complexidade.

Por isso é que uma mesma mensagem chega de formas diferentes a cada pessoa, pois as interpretações variam, em sintonia com o que os receptores pensam, sentem, querem, precisam. Uns se ofenderão com pouco, outros tolerarão bastante, muitos não se importarão. Não conseguiremos prever todas as consequências do que fizermos ou dissermos, porém, um mínimo de bom senso pode evitar que magoemos as pessoas sem que seja preciso.

Mesmo assim, ainda que sejamos prudentes com nossas atitudes, não estaremos livres de ser mal interpretados, de ter nossas falas descontextualizadas e usadas contra nós, da pior forma possível. Inclusive poderão entender exatamente o oposto do que pretendíamos. Não poderemos tentar nos explicar ao mundo, ou enlouquecemos, portanto, nesses momentos, valerá a pena uma discussão saudável apenas com aqueles que saibam ouvir alguém além de si mesmos.

As pessoas com quem convivemos e vivemos de perto, que são especiais para nós, essas merecerão esclarecimentos e diálogos, sempre que nos magoarem ou se sentirem magoadas por nós, pois trazem sentido à nossa vida. No entanto, existem pessoas que não merecerão que nos desdobremos em explicações e justificativas, uma vez que somente entenderão de acordo com os seus próprios interesses. Umberto Eco, aliás, já nos alertara de que nem todas as verdades são para todos os ouvidos.

Infelizmente, algumas pessoas, mesmo após terem firmado uma relação consistente conosco, a ponto de nos conhecer há tempos, entrarão em choque com posturas que tivermos, magoando-nos, ainda que tivessem praticamente obrigação de nos entender. Se não tivermos nos deslocado de tudo o que vivemos até então, não terá razão para o outro se surpreender.

Nesses casos, muito provavelmente, estaremos agindo em desacordo com o que o outro acredita e não tolera, nem nunca aceitará. Nesses casos, então, ele não entenderá, por mais que nos expliquemos, por mais que tentemos, por mais que queiramos. Certas coisas não têm solução e lidar com isso, em nosso favor, é que nos resta. Sigamos!

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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