As pessoas que quebram promessas também são falsas ilusionistas. São perfis que destroem pouco a pouco seus laços de confiança para nos alimentar com decepções, com palavras que, longe de serem levadas pelo vento, ficam para sempre guardadas em nós. Porque, no fim das contas, o que conta mesmo em uma relação não são as promessas, e sim os atos cumpridos.

Há muitos especialistas no campo dos relacionamentos que afirmam algo que devemos refletir: quanto menos promessas fizermos, melhor. Haverá pessoas que concordam com essa afirmação; entretanto, há outro aspecto que não podemos deixar de lado.

O ser humano precisa de segurança na hora de criar vínculos com seus semelhantes. As promessas, portanto, são declarações de intenção através das quais fortalecemos a confiança em uma ampla gama de eventos interpessoais.

As crianças, por exemplo, precisam desse tipo de afirmação por parte de seus progenitores para experimentar a sensação de segurança a curto e a longo prazo. “Papai promete que quando você sair da escola, vou te buscar e vamos brincar um pouco no parque”.

O mesmo acontece num casal: as promessas são altamente valiosas porque adicionam o componente no qual as expectativas são revestidas de sonhos e certezas. Nos sentimos amados e unidos por um compromisso firme.

Quebrar uma promessa é, portanto, a forma mais rápida de deteriorar uma relação. Ainda mais se a pessoa for reincidente, uma falsa ilusionista habituada a alimentar as pessoas ao seu redor com constantes decepções.

Pessoas que quebram promessas, por que fazem isso?

Frequentemente descuidamos de um aspecto quando não hesitamos em criticar aquilo que as pessoas fazem ou deixam de fazer. Cabe dizer: o ser humano é extremamente complexo, tanto que às vezes podemos demonstrar ser ambivalentes sem nem perceber.

Ou seja, há pessoas que quebram promessas de forma aberta e inclusive mal-intencionada, não há dúvidas disso. Porém, há perfis que exercem estes comportamentos por realidades internas das quais não são plenamente conscientes.

Às vezes é por insegurança, por não saber negar quando o filho pede algo que lhe foi prometido, etc. Outras vezes (a grande maioria), nos deixamos levar pelos instantes específicos de intimidade, bem-estar e sonhos dos quais as pessoas emergem sozinhas tão facilmente. As mesmas pessoas que, mais tarde, acabam escapando como a água que escapa pelo ralo do banheiro.

Assim, algo que deveríamos levar em conta sobre a prática de quebrar promessas é que nós não decepcionamos apenas aqueles que amamos, mas também parte da nossa autoestima. O dano causado tem efeitos diretos, mas também colaterais. Surgem conflitos emocionais, perdemos a honestidade e damos forma a contextos familiares habitados por uma inimiga voraz: a desconfiança.

Vejamos a seguir o que pode existir por trás das pessoas que quebram promessas.

A personalidade passivo-agressiva

A personalidade passivo-agressiva tem uma característica recorrente. Em certos momentos estas figuras se mostram solícitas, amáveis e correspondem com grande efusividade a todas as nossas opiniões e demandas.

Elas vão nos alimentar com mil e um sonhos e propostas para fazer em comum. Entretanto, em muito pouco tempo, não vão ter receio de quebrar uma promessa feita há poucos dias, ou há poucos minutos.

Vão claramente nos contradizer; vão afirmar que nunca prometeram nada, que estamos inventando tudo. A personalidade passivo-agressiva é, sem dúvidas, uma grande viciada em quebrar promessas.

A auto-enganação

Falamos há pouco tempo que as pessoas que quebram promessas não são todas iguais. Há quem não tenha consciência do que está fazendo.

– Há quem se deixe levar pela auto-enganação, por acreditar que vai ser possível fazer isso ou aquilo. São perfis que não calibram a realidade de forma objetiva e que se deixam levar pela emoção do momento, fazendo promessas que não podem cumprir.

– São perfis, muitas vezes, imaturos, que não têm consciência de suas limitações. No entanto, essas promessas são feitas de coração, projetam coisas nas pessoas que mais amam, também se envolvendo na ilusão.

Cabe dizer, além disso, que nesse caso o impacto dos acordos quebrados também afeta a própria pessoa. Estas dinâmicas nas quais a pessoa acaba se consumindo em seus próprios fracassos e nas decepções geradas pelos demais leva a um alto desgaste psicológico.

Iludir para obter algo em troca

Há promessas de duas faces. Acordos dos quais pode-se obter algo em troca. Nós vemos isso frequentemente nos relacionamentos amorosos e até mesmo dentro das famílias. Isso acontece quando alguém faz uma promessa com a condição de que a outra pessoa faça algo primeiro.

“Vamos dar uma escapadinha para a praia nesse fim de semana se primeiro você me ajudar com este projeto do trabalho”, ou, “Mamãe promete que vai te levar ao aniversário do Marcos se antes você passar nas provas de matemática”.

Entretanto, quando uma das partes cumpre a condição, percebe que a outra pessoa não vai cumprir a sua parte do acordo. Isso pode acontecer de forma pontual (às vezes quebramos promessas porque acontecem coincidências que não podemos evitar). No entanto, há perfis comuns caracterizados por fazer este tipo de manipulação, o que no fim das contas acaba sendo uma chantagem.

Medo de dizer “não”

Há pessoas que quebram promessas por falta de assertividade. São perfis que agem com falsas ilusões por não saberem dizer “não” quando alguém lhes pede algo, quando o parceiro, os filhos ou um amigo lhes propõem algo que precisa de comprometimento. Assim, por não saber impor limites, ou mesmo por pura insegurança, acabam se responsabilizando por algo que sabem que não vão cumprir.

Pouco a pouco, a sensação de incompetência, de incômodo e mal-estar consigo mesmo vai ficando mais pesada. Principalmente quando pedem perdão e devem enfrentar a rejeição e a decepção impressa no rosto das pessoas.

Para concluir, as pessoas que quebram promessas nem sempre o fazem de má fé ou com a clara intenção de causar mal.

Frequentemente, por trás de tais comportamentos, temos perfis que precisam trabalhar diferentes áreas de sua personalidade. São pessoas que vivem batalhas internas e que precisam desenvolver dimensões como a assertividade, a autoconfiança, a responsabilidade, e precisam, também, entender o verdadeiro sentido contido nas promessas.

Uma promessa é um ato de responsabilidade que parte da fé em si mesmo. Se esta não existe, dificilmente a pessoa vai cumprir sua promessa.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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