tem tanta coisa que ficou por dizer, por fazer, que se perdeu no meio de nós estreitos. mas nos tornamos largos. largos demais pra dividir o mesmo espaço, o mesmo sentimento, o mesmo querer. quer dizer, você se tornou largo, distante, ausente. eu me tornei pequena, insegura, assustada. eu não sei onde tudo se perdeu. eu não entendo como algo que começou tão bonito, tão inusitado, inesperado possa ter acabado assim tão feio e doído, machucando, ferindo, ferindo fundo. tô aqui com uma ferida exposta depois desse fim. depois de ter tido que te arrancar à força de mim. tá doendo. mas dói menos do que continuar perdida na nossa história que já se perdeu faz tempo. eu te amo. eu ainda te amo muito e vou continuar te amando. “pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então”, cantou lulu santos, e, eu canto agora concordando veementemente. se continuar te amando for fraqueza, que seja então. já perdi a falsa necessidade de parecer forte tem muito tempo. eu sei porque te amo. eu sei porque e onde dói. eu sei onde a saudade bate. e eu sei de tudo o que poderia ter sido, mas não foi. e sei de tudo o que foi e por isso deixamos de ser. eu não te culpo, não me culpo. eu te desculpo. me perdoa também. tem vezes que por amar demais a gente insiste tanto que acaba se machucando mais ainda e machucando o outro também. eu também sei onde te dói. eu queria poder te cuidar (sempre). tem tanta coisa que ficou pra ser assim que deixamos de ser. vou te levar sempre comigo e pode ter certeza que as salas de cinema nunca mais serão as mesmas quando eu entrar sem você. na verdade, nada mais será o mesmo. mas tudo bem. a impermanência, a inconstância fazem parte da vida. mas eu só queria que você continuasse fazendo parte da minha. enfim, o fim. de você eu guardo a lembrança de um abraço seguro, de um olhar preocupado, de uma mão que carrega um ponto em comum com a minha. de você, eu guardo o sorriso e o som da risada. é. quanto a mim, “quem me vê sempre sorrindo não aprendeu a me olhar nos olhos”, eu já escrevi aqui. e escrevo de novo. eu vou voltar a sorrir. vou sim. tanta coisa ficou por dizer. inclusive o “adeus” que eu ainda não consigo dizer.

Imagem de capa: La La Land (2016)

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Isabella Gonçalves
Formada em Direito, apaixonada por livros, pessoas e céu cinzento. Escrevo porque gosto e quando quero. Inconstante, dramática, sonhadora. Vejo 100 onde há um. Vejo um onde há 100 vazios. Confiável, confiante, e que siga a vida! Adiante...sempre.

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