Para se relacionar com uma pessoa introvertida, é preciso encontrar o momento adequado e agir de uma forma específica. Isso implica se aproximar com sinceridade, sem artifícios, para descobrir que essas pessoas podem ser excelentes conversadores.

Perceberemos também que, por trás de uma aparência muitas vezes de distância, há uma pessoa que sabe ouvir, que evita as superficialidades, que nos contagia de entusiasmo e que forma vínculos fortes e leais.

Se olharmos rapidamente a literatura já escrita sobre a introversão, perceberemos que um aspecto salta aos olhos. Foi só em 2010 que esse tipo de personalidade deixou de ser vista como algo negativo para então serem reconhecidas virtudes e características que fazem desse perfil um enorme potencial pronto para ser descoberto. Isso se deu, entre outros motivos, pelo lançamento de livros como “Silêncio, o poder dos introvertidos num mundo que não para de falar”.

“A timidez é o medo da desaprovação social ou da humilhação, enquanto a introversão é uma preferência pelos ambientes que não são muito estimulantes. A timidez é intrinsecamente dolorosa, mas a introversão não é”.
-Susan Cain-

Em 1935, os psicólogos Davis e Rulon publicaram um estudo que, pela primeira vez até o início dos anos 2000, falou sobre os interesses das pessoas introvertidas. Não era o retraimento social que as definia, como muito pensavam até então. Também não eram um oposto exato da personalidade extrovertida.

Viu-se que os introvertidos tinham habilidades suficientes para se envolverem nos objetivos de qualquer sociedade. O que os distinguia era, na verdade, um compromisso forte com seus ideais e uma grande habilidade para a conversa.

Esse último dado foi duramente criticado naquela época. Naqueles anos, a introversão era associada a uma timidez patológica em que a pessoa carece de habilidades sociais. Hoje em dia, essa ideia já foi superada. Isso se deu principalmente por um detalhe que não podemos deixar de mencionar: a introversão não é um traço unitário.

Como assim não é um traço unitário? Na verdade, cada um de nós está em um ponto específico dentro de um contínuo que vai desde a introversão até a extroversão.

Como se relacionar com uma pessoa introvertida?

Ao pensar em como se relacionar com uma pessoa introvertida, devemos lembrar primeiramente o fato de que introversão não é o mesmo que timidez. Além disso, é importante lembrar que não há carências quanto a habilidades sociais nesse tipo de personalidade, e nem mesmo retraimento ou algum componente patológico que torne difícil se relacionar com eles.

Na verdade, o que os define é uma série de dinâmicas comportamentais que caminham junto ao seu enfoque mental, suas emoções, e inclusive com um cérebro que processa informações de maneira diferente. Vejamos:

– Preferem os ambientes tranquilos. Não evitam eventos sociais ou encontros com grupos grandes de pessoas, mas como esse tipo de cenário geralmente envolve um excesso de estímulos, eles podem se sentir esgotados psicologicamente.

– Ser introspectivo é ser observador e imaginativo.

– São de poucos amigos, preferem círculos de amizade pequenos, com os quais estabelecem laços fortes e significativos.

– Preferem as conversas profundas, não gostam muito de fofocas, nem de chamar atenção.

– São detalhistas.

– São movidos por motivações intrínsecas, são fiéis a seus valores e não precisam agradar a todos.

– Têm paixões artísticas: música, escrita, literatura, desenho…

Conhecendo essa lista de interesses, comportamentos e dinâmicas que caracterizam essas pessoas, vamos ver a seguir as dicas para se relacionar com uma pessoa introvertida.

1. Vá devagar, respeite seu tempo e os canais de comunicação

Para se relacionar com uma pessoa introvertida, devemos entender um aspecto muito importante. O mundo delas gira em outro ritmo, mais devagar, mais sereno, mais prudente. Por isso, devemos evitar um primeiro contato em que impomos a nossa presença, fazemos um monólogo e pedimos seu número de telefone. Isso, na verdade, seria um terror.

O ideal é aceitar seu ritmo, seu tempo. O certo seria começar com uma forma de contato em que seja colocado um tema de interesse de ambas as partes. Mesmo assim, é importante entender que há certos canais de comunicação que as pessoas introvertidas costumam evitar. Eles não gostam, por exemplo, de ligações intermináveis pelo telefone. É melhor mandar algumas mensagens, e nada de pressão e agonia se demorarem para responder.

2. Uma cebola com camadas

As pessoas introvertidas têm muitas camadas. São como uma cebola que esconde um interior muito valioso e iluminado. Saber chegar até eles para se conectar de forma autêntica requer não só respeitar o tempo, mas também ir descobrindo as camadas pouco a pouco. Algo assim exige uma grande entrega da nossa parte, exige confiança.

Só assim seremos sinceros, humildes, abertos e nos comportaremos de forma coerente a todo momento até conseguir estabelecer uma boa amizade ou relação com essa pessoa.

3. Não faça com que sejam o centro das atenções

Não faça uma festa surpresa para eles. Não organize um aniversário e convide um milhão de pessoas, abarrotando uma sala e colocando-os no centro das atenções. Algo assim funcionaria para uma personalidade extrovertida, mas não com esse outro perfil.

Crie momentos especiais, em que tudo seja simples e espontâneo, em que haja pessoas queridas, não exista pressão, olhares alheios, nem que a pessoa tenha que se sentir obrigada a fazer algo que pode incomodar.

4. Conversas significativas

Evite os monólogos ou os diálogos superficiais. Nesses casos, a pessoa introvertida será educada, mas não estará te escutando. Para se relacionar com uma pessoa introvertida, escolha temas inteligentes e profundos.

Sem dúvida, o ideal é comentar com essa pessoa sobre interesses em comum de vocês, como livros, série de televisão, metas, projetos… Valores que possam uni-los.

5. Prazer nos silêncios

Compartilhar silêncios com outra pessoa pode criar momentos mágicos. Porque é nesses instantes que a confiança habita, que cada um se permite agir com grande naturalidade, sem ter que forçar nada, nem atitudes nem conversas. Assim, para se relacionar com uma pessoa introvertida, nada melhor do que buscar ambientes tranquilos em que predomine a calma, em que o silêncio seja um vínculo entre ambos e essa cumplicidade possa se estabelecer e durar a vida toda.

6. Respeite o espaço

Não há motivo para ficar grudado todos os dias nem para mandar mensagem a todo segundo. Não há necessidade de explicar tudo que estamos fazendo ou o que não estamos fazendo. As pessoas introvertidas precisam de espaço e da solidão para recarregar as energias, para se nutrir, para ficar em equilíbrio, na sua solidão com seus gostos e paixões. Agir assim não significa que não querem nada conosco, seja como amigos ou como casal.

Para concluir, se relacionar com uma pessoa introvertida pode ser mais fácil do que pensamos. Além disso, se há algo que é certo é que a relação será muito boa. Há tesouros nas profundezas de baús fechados, e ter a oportunidade de estabelecer um vínculo nesse contexto é algo extraordinário.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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