Meu teclado está com defeito. Não é nada sério, portanto não mandei arrumar e aprendi a conviver com esta falha de caráter do meu computador. Não é bem caráter, é falha de conteúdo. Falta-lhe a letra “z”. A tecla estragou, emperrou, não funciona. No início eu apertava com força e vez ou outra apareciam muitas letras “z” que, juntas, me davam um sono danado “z z z z z z”. Depois travou de vez. Então acabei desenvolvendo algumas artimanhas. Faço um “ctrl C / ctrl V” do que já está escrito, ou então escrevo “lus” e espero pelo gentil sublinhado vermelho do Word que permite clicar em cima da palavra e selecionar a correção “luz”. Agora é só copiar a letra “z” para a palavra em questão e ser feliZ em paZ.

Pois bem, esta estratégia exige muita atenção. Não posso descuidar e enviar um e-mail contendo a palavra “cosinha” assim, com “s”. O que meus clientes vão pensar? “Arquiteta que não sabe escrever ‘cozinha’ não dá!!!” Agora então, com a possibilidade de usar o whatsapp web, preciso cuidar ainda mais. Com as amigas eu relaxo e lá vai uma enxurrada de “felis”, “veses”, “diser” e etc. Eu me desculpo, elas mandam “kkk” e tudo bem. Quando a conversa é profissional, porém, preciso manter a linha (e a gramática), mas não foram poucas as vezes que me deparei com um “fas“ logo depois de enviado. Puxa, que arrependimento! Seria o momento de explicar para o cliente “olha, meu teclado está estragado, eu não tenho a letra z”…? Prefiro esconder a cara de tacho do outro lado da tela e torcer para que a falha de conteúdo tenha passado despercebida.

Assim segue minha sina de escrever cuidando dos “z” e “s”, como na época da escola quando a dúvida era sempre maior que a certeza. Para quem está enlouquecido achando que isso é muito confuso e que mais valia mandar arrumar o teclado, tenho a réplica na ponta da língua, e das teclas: “tudo bem, é tranquilo, já pensou se fosse a letra “a” ???

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Mônica Moro Harger
Arquiteta, tia, madrinha de sete. Apaixonada por gente e palavras, desde cedo fez dos “escritos” uma forma de homenagem: à vida, à família, aos amigos. No início de 2018 reuniu alguns textos no facebook e ganhou leitores assíduos, mais amigos e novos sonhos. Desde então, divide os projetos com as palavras - além do cinema com os afilhados (um ou dois de cada vez) e do café com a “menina da sala ao lado”. Vive em Curitiba, onde coleciona memórias, ímãs de viagem e recados na geladeira.

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