Quando perguntam o motivo do rompimento, ele diz que não sabe a resposta. Diz que ainda está entendendo. Não sabe se o espanto de quem escuta isso é pela falta de lógica da explicação ou por não acreditar que estão separados. Quem viu o amor deles crescendo, não acredita que agora cada um vive num extremo da cidade. Quem viu o amor deles, dizia que era aquele “casalzão da porra”, que reacendia a fé no amor. Comparado às recentes uniões de novela, mal sabiam os espectadores, que o amor deles não tinha nada de cênico. Era dentro da normalidade louca que cada casal inventa para si.

Eles achavam uma bobagem o que diziam sobre o amor deles, que nem de longe era perfeito. Eles nunca quiseram o amor perfeito, só faziam o possível para que desse certo. Até que alguma coisa mudou. Começaram a cavar as próprias distâncias com a pá da indiferença, e vivendo sob o mesmo teto, criaram abismos. O “depois” passou a ser o mantra daquela relação. “Depois eu faço”. “Depois eu converso”. “Depois”. Não havia mais encontros urgentes, o amor apressado pelo desejo foi atropelado na via da discórdia. As palavras diminuíram, ficaram ofensivas. Práticas demais. O tempo escasso transformou-se na desculpa perfeita para diminuir o cuidado. As surpresas, as embalagens de fitas e as homenagens para celebrar as conquistas diárias, cessaram.

O amor deles acabou.

Alguém vai dizer que o amor deles não era amor. Que o amor verdadeiro não acaba, mas nada permanece sem manutenção. Os edifícios sem a devida inspeção, despencam. As pontes apresentam fissuras e se não houver reforço nos alicerces, em pouco tempo, estarão no chão. Assim acontece no relacionamento amoroso, a estrutura construída diariamente, sem respeito e afeto começa a dar sinais de desgaste. Vai ruindo aos poucos, diante do descaso daquele que não demora mais o olhar dentro do olhar do outro. Daquele que esquece de abraçar e dar as mãos, e já não demonstra interesse pela rotina do outro. Não pergunta se almoçou, se jantou, se foi e voltou bem. “Ah, bobagem! Dirão os mais “práticos”. Com essa “pequena” lista de “bobagens” se constrói a receita infalível para o fim do amor.

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ESTER CHAVES é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participa de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho de 2016, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora.

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