É possível que você tenha emigrado – ou que emigre em breve – para outro país, por motivos de estudo ou trabalho, durante uma estadia prolongada ou por tempo indeterminado. Nestes casos, é comum enfrentar o luto migratório, que ocorre ao deixar a casa, a família e os amigos.

Você já pensou no que aconteceria se você se separasse hoje mesmo e de forma indefinida de seus familiares e amigos mais próximos? Se amanhã você acordasse em uma terra diferente da sua, onde os costumes e modos de vida são completamente distintos? E se, quando você quisesse expressar a forma como se sente sobre tantas mudanças, o idioma, o sotaque ou o vocabulário dos outros fosse diferente do seu e você não encontrasse uma forma de fazê-lo? Essas são situações comuns em que esse tipo de transtorno acontece.

A situação de luto diante de uma perda

Quando há uma situação de perda, nosso cérebro começa a fazer uma série de adaptações emocionais e cognitivas. Essas adaptações são necessárias para podermos nos ajustar ao que será a nossa nova realidade.

É o que chamamos de “luto”. Por isso, aparecem algumas manifestações ou sintomas desse processo de adaptação. Alguns exemplos são perda de apetite, ansiedade ou problemas relacionados ao sono. Por sua vez, surgem emoções que experimentamos como negativas, como tristeza ou raiva.

No caso do luto migratório, esse mal-estar geralmente não aparece no início, quando acabamos de sair de nossa terra e ainda estamos fechando procedimentos e a extensa documentação do que será nossa nova casa. Ou seja, quando nossa atenção ainda está focada no que é urgente para nos integrarmos da melhor maneira possível.

No entanto, passado algum tempo desde o abandono de nossa terra natal, realmente começamos a colocar o foco de atenção em nós mesmos. Esse é o motivo pelo qual o luto migratório é também chamado de mal dos 6 meses – o que é geralmente considerado como o período de adaptação -, embora receba outros nomes da cultura popular, como a melancolia e nostalgia dos poetas.

Os diferentes fatores envolvidos no luto migratório

Como emigrar supõe somar várias perdas, estaríamos falando, na realidade, de múltiplos lutos. Estas são a perda do lar, a perda de entes queridos e relacionamentos, a perda do trabalho e, talvez, a maior causa de desconforto, a perda da identidade. Além disso, muitas vezes a emigração é motivada por precariedade econômica, situação de violência no país de origem, guerras, perseguição, etc. Esses são motivos, por si próprios, bastante agravantes da situação de desconforto.

Por tudo isso, se você pretende ir em breve para algum lugar distante, se você acabou de se instalar no que será o seu país de acolhimento ou se você conhece alguém que está nessa situação, mostraremos a seguir algumas dicas para que a adaptação seja o mais positiva e benéfica possível.

Como favorecer uma adaptação positiva

Não idealizar o país anfitrião nem o retorno para o seu país

Criar falsas expectativas sobre o país de destino pode significar que você vai acabar ficando muito desapontado com a sua nova casa. O melhor é não criar expectativas para poder analisar depois, de maneira mais objetiva, as coisas boas e ruins do país. Por outro lado, também não é aconselhável idealizar o retorno para o seu país, pensando que tudo estará melhor do que antes.

A partir da minha própria experiência, vivi na Noruega durante um ano e percebi que idealizamos os países nórdicos em excesso. Claro, há muitas coisas que são bem feitas e muitos aspectos positivos quando se trata de viver lá, mas em todos os lugares há problemas que podem nos afetar em maior ou menor grau.

Normalize a situação

Esteja consciente de que a vida é um processo que está mudando constantemente. A emigração existe desde as origens da humanidade, e o fato de que agora você se veja obrigado, por um motivo ou outro, a se mudar para outro país, não significa que em um futuro você não possa voltar para a sua casa, ou talvez mudar para outro país diferente, para que possa conhecer mais culturas.

Com esses conselhos, será mais fácil controlar os níveis de estresse gerados pela mudança e o processo de integração e adaptação a outro país, de maneira que esse luto migratório não tenha efeitos tão fortes sobre nós.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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