Ao som de um piano longínquo, escrevo uma carta que não será lida. Palavras perdidas em um papel, na tentativa já fracassada de comunicar o que eu não comuniquei enquanto você estava aqui.

Silêncios me acompanham dia e noite e não têm pena de mim. Sua voz ecoa em minha mente enquanto em pensamento eu tento reproduzir as cenas de um passado que não é tão distante mas que a cada dia mais se afasta de mim.

Eu achei que você seria para sempre e que sempre haveria um amanhã e uma oportunidade de vivermos tudo que a vida não nos permitiu viver quando era possível. Agora os tempos são outros e entre nós há uma crua impossibilidade do que antes nos era cotidiano. Ah, se eu soubesse antes que aquele dia chegaria e eu te veria partir… Ah, se eu soubesse que um dia eu veria suas roupas e não encontrar mais sentido pra elas… Ah, se eu soubesse antes que as fotos um dia seriam o que de mais valioso eu teria. Ah, se eu soubesse antes que a morte de fato existe e que o silêncio que ela deixa barulho nenhum irá preencher.

É difícil explicar o amor. Lembranças perdem seus contornos, seus detalhes e nitidez e no entanto o amor permanece, intocável, preenchendo o vazio que ficou, como se estivesse a dizer: “Ainda não acabou, eu ainda estou aqui”. E está mesmo, mãe. Hoje e sempre você está dentro de mim.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




Nat Medeiros
“Sou personagem de uma comédia dramática, de um romance que ainda não aconteceu. Uma desconselheira amorosa, protagonista de desventuras do coração, algumas tristes, outras, engraçadas. Mas todas elas me trouxeram alguma lição. Confesso que a minha vida amorosa não seguiu as histórias dos contos de fada, tampouco os planos de adolescência. Os caminhos foram tortos, íngremes, com muitos altos e baixos e consequentemente com muita emoção. Eu vivo em uma montanha-russa de sentimentos. E creio que é aí que reside o meu entendimento sobre os relacionamentos. Estou em transição: uma jovem se tornando mulher experiente, uma legítima sonhadora se adaptando a um mundo cada vez mais virtual. Sou apenas uma mas poderia ser tantas que posso afirmar que igual a mim no mundo existem muitas e é para elas que escrevo: para as doces mulheres que se tornaram modernas mas que ainda acreditam nas histórias de amor.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here