Há um tempo atrás, no fim de um relacionamento, eu usei este título num tom afirmativo. Caguei regra mesmo, eu disse que quem ama mesmo, aceita a liberdade, deixa ir, admira de longe, torce pela felicidade mesmo que o motivo nem sempre seja você. Não é hipocrisia minha, as pessoas com quem me relacionei sabem que encorajo voltas ao mundo. Sou quem diz: dance, rebole, se jogue. No fundo, bem no fundo, eu não sei se eu só encorajo porque de fato acredito que a mulher tem que ser o que quiser, mas dentro disso, mora um medo de me envolver e encorajar alguém a também ficar.

É que não combina com a liberdade que eu prego pedir que alguém jogue tudo pro alto e traga seus moletons pro meu guarda-roupa, não combina com quem empodera querer prender. Mas, amar é mesmo deixar ir? Amar não é tentar mais um pouco? Pedir pra ficar? Amar não é segurar forte a mão não como quem quer prender mas, como quem quer mostrar que é seguro? Será que a coragem que prego pra deixar livre não é o medo que tenho de me prender?

Já faz tempo que moro em paradoxos, num “Deus meu livre, mas quem me dera”. Num apaixonar constante a deixar levarem pedaços de mim numa fé daquelas que abastecem romances antigos de que amar é fácil quando é só querer, e que dilui feito poeira com a realidade dolorida de que, as felicidades individuais muitas vezes são distintas. O paraíso não é o mesmo pra todo mundo, eu sei. Eu continuo deixando ir, vendo um sorriso vestido de amor abrir a porta e sair sem às vezes nem olhar pra trás, levando muito de mim. Declarações, histórias nossas e piadas internas que não funcionam com ninguém. Gestos nossos que não arrepiam ninguém.

Por fim, a história segue a mesma. Se não encontro reciprocidade, saio de campo. Se encontro porém, me encho de desculpas e “nãos” acovardados diante de quem quer ficar. Não luto mais como quem quer vencer mas, me defendo como quem não quer sair tão machucado, não levar nenhum golpe que me tire o sorriso, sabe? Deixo a porta aberta, não aconchego a casa pro amor ficar. Encorajo a liberdade como quem dá de comer aos pássaros no fundo do quintal. Bão há prisão, mas dentro de mim mora um desejo enorme de todos os dias ver o amor cantar.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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