Porque é horrível. Não é? Saber que falhamos ou que falharam com a gente, que apesar de todos os esforços, das incontáveis tentativas, da grandeza da vontade, ainda assim, não deu certo. É terrível ter que reconhecer lá no fundo da gente: “Não deu certo” e encarar tudo o que vem depois disso. Os olhares de julgamento ou pena, as palavras repetidas e doídas: “Eu te avisei”, “eu sabia”, “estava na cara que não daria certo” e por aí vai.

Encarar a própria culpa que colocamos em nós mesmos, o reflexo cansado no espelho, os olhos meio opacos, a voz meio sem graça, os passos meio perdidos. Vai falar que isso não é terrível? Mas, calma. A gente tentou. A gente fez o que pôde, acreditou, seguiu o coração, fez o que teve vontade, o que pensou ser o certo. A gente tem que colocar na cabeça e no coração a informação de que nem tudo acontece do jeito que a gente quer, que tudo bem falhar, não precisa medo da falha, do erro, de assumir a derrota. Nem precisa medo dessa palavra: “derrota”. Só perde uma batalha quem se arriscou a lutar. Tá entendendo? Perdeu hoje, pode ganhar amanhã, ou depois. Vou voltar um pouquinho.

Às vezes, parar de insistir em algo/alguém e assumir que aquilo ali não é pra gente é o melhor a se fazer. Não dá pra continuar insistindo, querendo, lutando, relutando por medo de encarar o fim, o “não deu certo”, o “falhei”, o recomeço. Olha, o recomeço é chato, eu sei. A gente sempre perde um pouco da gente junto com aquilo que a gente perde no caminho. E recomeçar assim, meio mancos, é chato, é cansativo, é f#[email protected], dói, incomoda, mas vai passando.

Dia após dia, as coisas vão melhorando. Sabe por quê? Porque depois do fim, há inúmeros começos, novos, frescos, surpreendentes. Basta a gente querer começar (de novo), ou seja, recomeçar. Basta a gente parar de ter medo do que termina, e querer continuar dando murro em ponta de faca, nos machucando cada vez mais. Basta a gente saber que: somos humanos, tentamos, erramos, recomeçamos, falhamos, aprendemos, levantamos, seguimos. Vamos seguir?

Vamos parar de ter medo de assumir as fraquezas, os erros, de assumir o fim das coisas, das relações, dos ciclos? Vamos fluir junto com a vida? Vamos? Eu tô indo.

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Isabella Gonçalves
Formada em Direito, apaixonada por livros, pessoas e céu cinzento. Escrevo porque gosto e quando quero. Inconstante, dramática, sonhadora. Vejo 100 onde há um. Vejo um onde há 100 vazios. Confiável, confiante, e que siga a vida! Adiante...sempre.

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