Até então era a Copa do Mundo que estava incomodando um monte de gente. Um bando de chatos. Gente sentenciando sua verdade inédita e absoluta: “a Copa não vai melhorar o Brasil.” Depende. Se estamos falando de saúde, educação, segurança, saneamento, infraestrutura, essas coisas que o governo tem a responsabilidade de promover, tá certo, a Copa não vai melhorar em nada mesmo o Brasil. Em contrapartida, se estamos falando de autoestima, esperança, entretenimento, nostalgia de um verde amarelo das antigas, sim, a Copa deu esse upgrade na gente sim! “Política de pão e circo” disseram e sempre dizem os patrulheiros da felicidade alheia. Pois é, se com o circo tá esse sofrimento todo, imagina sem!

Queria saber se os chatonildos de plantão não se permitem um choppinho no final do expediente, uma pesca no fim de semana ou amar uma coleção de selos antigos que ninguém pode mexer. Isso tudo é circo, meu amigo. Cada um escolhe o palhaço que lhe diverte e tudo bem, tá bem?

Agora a modinha da vez é a brincadeira do Instagram “faça uma pergunta para mim”. Rapidinho apareceu uma turma que já caiu de cabeça e entrou na brincadeira, outra que ficou um pouco resistente e acabou entrando por curiosidade [eu] e claro, a outra que meteu o pau nas duas primeiras turmas. Já tem um monte de meme criticando a brincadeira [o que também é uma brincadeira], já tem um monte de gente postando que tá saturado de ver os que não fazem parte da sua turma brincando.

Somos todos uns chatos. Tudo tá incomodando. “Não gosto desse som.” “Aff, que mulher ridícula!” “Querido, essa vergonha tu tá passando no crédito ou no débito?” “Graças a Deus o Brasil perdeu na Copa, vê se pode, o país ruindo e esse povo iludido, torcendo pra um bando de jogador milionário.” “Ai, povinho criança, brincando de fazer perguntinha.” Mimimimimimimimi.

O que essa gente chata do [email protected]@*#o quer da gente “boba-iludida-inocente” que só quer se divertir um pouco? Tão mais prático [e bonito] discordar de algo e ficar quieto, sabe? Ou se não aguentar, que fale, mas que saiba como falar. Há uma enxurrada de críticas e de ofensas absurdas nas redes, bate-bocas fervorosos completamente desnecessários, agressões gratuitas que um simples fingi-que-não vi pouparia tanta coisa ruim!

O povo quer pintar a cara e torcer para o Brasil? Deixa! O povo quer brincar de fazer e de responder perguntinhas, deixa, porra! Não quer participar, é teu direito, colega! Não participa, é simples! Para de ser chato, para de ficar patrulhando o divertimento das pessoas, para de ficar regulando a altura da risada, o tamanho do vestido, a quantidade de colarinho no chopp do vizinho!

Se lembra de quando você era criança e ia chamar o coleguinha para brincar com você? Se lembra que nem sempre teu coleguinha aceitou e você acabou se distraindo com outra coisa sozinho? Então, cara! Aproveita a sabedoria da tua criança interior [que você já matou há séculos] e vá se distrair sozinho com outra coisa. Ninguém vai notar, acredite! Um chato caladinho é até legal, vai por mim.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS




Ludmila Clio
Ludmila Clio nasceu em Cachoeiro de Itapemirim/ES, em 22 de Março de 1981.Começou a escrever para sua gaveta, como a maioria dos escritores, mas furtivamente, mostrando seus escritos para amigos e professores, foi encorajada a romper com a gaveta e publicar-se. O estopim se deu em 2004, quando venceu pela primeira vez um concurso nacional de poesias, realizado no Paraná. Graduada em História e autora de 02 livros de poesia, está prestes a lançar seu primeiro livro em prosa. Mora atualmente em Campinas/SP com sua filha adolescente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here