A personalidade genuína prioriza as relações saudáveis. São pessoas despidas de falsidade, livres de preconceitos e independentes na hora de estabelecer os seus próprios caminhos. Elas acreditam no respeito mútuo, no princípio da reciprocidade e nos valores que enfrentam a hipocrisia. Estes perfis surgem como autênticas referências, capazes de inspirar e nos motivar a sermos melhores.

Há alguns anos, a revista Forbes publicou um trabalho de pesquisa muito interessante sobre este mesmo tema. Ele destacou o fato de que a inteligência emocional já é um recurso básico na atualidade, com o qual encontramos uma maior satisfação a nível pessoal e profissional. No entanto, nesta habilidade baseada no mundo das emoções existe um pequeno e curioso “truque”.

“A autenticidade requer uma certa medida de vulnerabilidade, transparência e integridade”.
– Janet Louise Stephenson –

A inteligência emocional não serve para muita coisa sem a personalidade genuína. Isto é algo que podemos ver, por exemplo, nos líderes de muitas empresas. Com frequência eles são treinados em habilidades sociais, em assertividade, empatia e controle emocional; porém, nada disso chega a ser realmente eficaz a nível organizacional. Alguma coisa está falhando.

As pessoas carentes dessa dimensão genuína que promove a reflexão, a transparência, a sinceridade e a proximidade nunca chegarão a desenvolver o capital humano de uma empresa. Elas não saberão como motivar, não vão gerar confiança, nem criarão um ambiente de trabalho em que as suas palavras e ações despertem admiração ou inspiração.

A personalidade genuína: nascemos com ela ou a adquirimos?

Sabemos que nos dias de hoje não faltam cursos para nos ensinar a ser emocionalmente inteligentes. No entanto, podemos aprender a ser pessoas genuínas? Uma pessoa nasce com esse perfil humano, ou vai adquirindo suas características com o passar do tempo? Bom, devemos lembrar que estamos falando de um tipo de personalidade e que, como tal, todo esse repertório de atitudes, pensamentos, condutas e dinâmicas psicológicas são o resultado de vários fatores.

Assim como indica o geneticista Dan Hamer, existem certos componentes biológicos que sempre deveríamos considerar. Por exemplo, sabe-se que existe um gene responsável por regular a quantidade de dopamina liberada no núcleo accumbens do cérebro. Isso faria, por exemplo, com que nós estivéssemos “geneticamente” mais orientados para a motivação, para a busca de experiências prazerosas e, inclusive, para uma maior ou menor capacidade de sermos felizes.

Pois bem, os fatores educacionais, o contexto sociocultural e a nossa experiência seguem tendo um peso grande. A personalidade é como uma fabulosa escultura que se modela a partir de um material de melhor ou pior qualidade, ao qual se podem adicionar outros complementos, outras técnicas para esculpir melhor cada forma, cada canto, cada detalhe.

Portanto, uma pessoa pode nascer com uma personalidade genuína já definida. Porém, com vontade, abertura e as estratégias certas, qualquer um pode eliminar os vazios para configurar um jardim psicológico mais forte, mais autêntico e íntegro.

Como aprender a ser mais genuíno

Na atualidade, não existe dimensão psicológica ou emocional que não possa ser treinada. O ser humano tem uma capacidade imensa (e, às vezes, subestimada) para a mudança. Vejamos, portanto, como podemos dar forma a uma personalidade genuína.

Praticar a sinceridade

Praticar a sinceridade deveria ser um hábito e uma obrigação pessoal. No entanto, essa prática tem nuances delicadas:

– Em primeiro lugar, a personalidade genuína leva um tempo para ser consciente das suas necessidades. Ela favorece um trabalho interior adequado por meio do qual o indivíduo pode se conhecer melhor, compreender os seus limites e as suas qualidades.

– Do mesmo modo, ela é prudente na hora de escolher tudo aquilo que vai comunicar. Utilizará a sinceridade, mas também o respeito. Ela é hábil para expressar a sua realidade de forma assertiva.

– Por outro lado, a personalidade genuína não busca convencer ninguém com os seus argumentos. Ela expõe as suas opiniões de forma direta, mas não precisa que ninguém lhe dê a razão.

Motivação interna

As pessoas genuínas e autênticas se movimentam baseando-se nos seus ideais ou crenças. Não precisam da aprovação externa, nem querem cumprir expectativas alheias. Por isso, o fato de ser autêntico também vem acompanhado de uma certa dose de valentia.

Habilidades de recuperação emocional

Às vezes, muitos de nós ficamos encalhados na praia das decepções, dos fracassos, das perdas, etc. Esses universos emocionais negativos servem, sem dúvida, como freios para o nosso avanço. A personalidade genuína, por sua vez, desenvolveu uma grande capacidade de resiliência, que lhe permite aceitar esses estados, aprender com eles e se recuperar para seguir adiante o antes possível.

Sem medo do fracasso e com visão de futuro

As pessoas autênticas têm no seu interior uma bússola e um mapa da rota que elas vão construindo durante o trajeto. Se um dia elas fracassam, traçam outro caminho, buscam uma ponte alternativa. Se, em um determinado momento, o ânimo cai, elas param e descansam. O futuro sempre está aí, cheio de possibilidades e esperanças nas quais o perfil genuíno coloca a sua inspiração, o seu horizonte tão sonhado.

Generosidade e consciência social

Poucos perfis dispõem de uma maior consciência social do que esses homens e mulheres que sempre se mostram autênticos diante de nós. Portanto, se realmente queremos ser como eles, nós devemos imitá-los. Entendamos que não estamos sós, que os outros também são parte de nós e que o respeito, a harmonia e a reciprocidade se refletem em nosso bem-estar emocional.

Para conseguir isso, para alcançar esse topo onde moram as pessoas genuínas, nada melhor do que deixar os preconceitos de lado. Livremo-nos das críticas, dos pontos de vista antiquados, dos estereótipos, dos rótulos que classificam as pessoas como objetos. Devemos nos abrir à experiência em conjunto para aprender uns com os outros.

Desenvolver este tipo de habilidade social e emocional requer uma certa dose de valentia, humildade de coração e integridade pessoal. Vamos começar?

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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Blog oficial da escritora Fabíola Simões que, em 2015, publicou seu primeiro livro: "A Soma de todos Afetos".

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