Eu tenho certeza de que você já disse ou já ouviu alguém dizer a seguinte frase: “daqui pra frente, vou deixar de ser trouxa, não vou ser bobo(a) como fui nos meus relacionamentos anteriores”. Esse é uma espécie de mantra muito comum na boca de quem sai de um relacionamento com aquela sensação de ter dado muito mais do que recebeu. Sabe quando a ficha cai e a pessoa percebe que não foi valorizada naquele relacionamento? Então, as pessoas nessas circunstâncias, geralmente, carregam uma densa carga de ressentimento e frustração oriunda de um ou vários relacionamentos frustrados.

Até aí, tudo certo. Entretanto, a situação fica complexa quando esssa pessoa sai completamente frustrada de uma relação e já inicia outra, sem sequer dar uma pausa para respirar e olhar para próprios sentimentos. Daí, com a nova companhia, ela resolve fazer tudo diferente do que fazia anteriormente. O comportamento muda da água para o vinho, e o que é pior, ela radicaliza. Ela sai de uma posição completamente submissa e solícita para uma posição de total aspereza e resistência. Na compreensão dela, seus relacionamentos anteriores fracassaram porque ela foi boazinha demais, sendo assim, ela decide fazer tudo ao contrário com os novos vínculos.

Dessa forma, o novo parceiro amoroso vai se deparar com a pior versão dessa pessoa que, no passado, foi um verdadeiro capacho nos relacionamentos. E aqui entra um agravante, esse novo par acaba tomando conhecimento de como esse tão ríspido agia com o(a) ex. Não tem como ocultar essas informações, sempre vai ter alguém interessado em revelar tal mudança de comportamento. Imagine como essa pessoa vai se sentir? Completamente desapontada, com toda a razão. Ela vai se dar conta de que, o namorado bancava todas as despesas da ex namorada ou esposa, por exemplo, porém, com ela, o sujeito faz questão de dividir até um pastel na feira. Ou o moço vai descobrir que a namorada era um docinho e se desdobrava para agradar o ex, porém, com ele, ela nunca cede em nada. Complicado, não é mesmo?

A grande questão nesse contexto é a ausência de discernimento, ou seja, a pessoa cheia de mágoas de relações anteriores vai querer descontar todas as suas frustrações nesse novo parceiro. Ela vai se comportar sempre na defensiva, sempre armado e se preocupando em não ser o bonzinho que se deu mal no passado. Ela vai sempre dizer “não” ao novo par, entendendo que isso é se impor na relação, não percebendo o estrago que ele está fazendo no emocional e na autoestima dessa pessoa. A pessoa vai sai do 8 e vai para o 80, ela vai sair de um extremo para o outro.

Lógico que faz parte do comportamento de qualquer um essa questão de reavaliar a própria postura dentro de um relacionamento. É perfeitamente normal, a gente rever algumas atitudes, optar por não permitir mais certas atitudes etc. Contudo, no contexto em questão, a pessoa apenas decidiu que vai ser o oposto de tudo o que ela foi. E é justamente aí que mora o problema, no passado, ela foi extremamente compreensiva, disponível, mão aberta, etc, mas agora, ela não quer equilibrar, ela vai radicalizar. Aí te pergunto: essa relação vai prosperar? Tá na cara que não! De cara o novo parceiro vai se deparar com o fantasma da comparação dela com o(a) ex que conviveu com a melhor versão do seu parceiro, enquanto ela está recebendo migalhas e sendo tratada com total falta de acolhimento. Se ela tiver um pouquinho de amor próprio, ela não fica na relação, afinal, que motivação ela vai ter para se manter nela?

É necessário muita cautela para não meter os pés pelas mãos. É preciso ter cuidado com os extremos. É fundamental o equilíbrio entre o que permitir e o que aceitar numa relação. Contudo, não é sensato agir com essa imaturidade. Se o outro não valorizou o que você ofertou de melhor, o problema foi dele, não faz sentido você fingir ser uma pessoa que não é na tentativa de se proteger. Cuidado, pois você estar estragando um relacionamento que teria tudo para deslanchar por falta de equilíbrio. Fica a dica!

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Ivonete Rosa
Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.

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