Esse negócio de ficar estabelecendo regras só pode ter sido invenção de gente muito azeda.

Eu não estou me referindo às práticas regidas pelo bom senso, baseadas no bem comum.

Não! Esses limites são absolutamente indispensáveis para orquestrar as relações interpessoais, estabelecendo direitos e deveres de cada um.

Falo daquelas regrinhas que só servem para engessar as pessoas e acabar com a espontaneidade e a leveza, igredientes tão desesperadamente necessários para salvar a receita desandada na qual se converteu a vida do ser humano contemporâneo.

E há proibições para tudo. Desde que o alvo em questão esteja em situação… digamos… vulnerável!

E convenhamos, não há nesse mundo de meu deus grupo mais alvejado do que as mulheres maduras! Todo mundo tem uma opinião!

“Imagine, fulana agora – depois de velha, resolveu pintar o cabelo de rosa!”
“Imagine, fulana outra, disse que vai assumir os grisalhos! Cortou o cabelo curtinho!”
“Imagine, fulana de tal agora deu para namorar uns garotões! Que absurdo!”
“Imagine se essa senhora tem idade pra usar biquini!”

Ora, ora, ora… será falta do que fazer???

Tanta guerra, tanta criança abandonada, tanto bichinho sem dono nas ruas, tanta fome no mundo… E o povo acha tempo para prestar atenção nesses detalhes pessoais?!

Eu não tenho paciência! Sei lá como é que se comporta alguém na minha idade… nunca tive essa idade antes! E quer saber? Nem faço questão de aprender! E já vou logo distribuindo uns boletos pra os opinadores de plantão. Afinal, se está a fim de palpitar na minha vida, que ao menos tenha a fineza de pagar as minhas contas! Não é não?

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Ana Macarini
"Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem ressignificadas a partir dos olhos de quem as lê!"

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