Do centro da dor, só conseguimos ver dor. Quando o que sentimos é raiva, angústia, frustração e medo, é disso que é feito nosso redor. Fechamos os olhos, e tudo o que vemos é negro.

Então parece que a fumaça começa a ficar menos densa, mais clara e leve. Quanto tempo isso irá levar? Segundos, ou anos, às vezes uma vida inteira, mas acredite, uma hora a fumaça preta ao seu redor vai diminuir. Sozinha, pode ser que nunca suma, é por isso que precisamos ajudar a soprar o vento que irá dissipá-la.

Não é fácil sair deste buraco negro de dor, medo, infelicidade e impotência. Sentimo-nos acuados e sem forças para nos levantar. Porém, acredito em duas máximas às quais recorro sempre que me sinto paralisada: (i) não somos o que acontece conosco, mas o que fazemos com o que nos acontece e (ii) se somos nosso pior inimigo, somos também nossa própria cura.

Imagine que cada um de nós é um corpo composto por energia. Não estou falando de religiões ou crenças, mas de pura energia. Ao nosso redor, essa energia interage com a energia do mundo, das outras pessoas.

Há pessoas que simplesmente “não vamos com a cara”, ou “temos ranço”, para usar a palavra do momento. Isto, para mim, é energia incompatível. Com quantas pessoas temos conexões quase que imediatas, e com outras antipatizamos por nenhum motivo aparente? Tudo uma questão de sensibilidade energética.

Enfim, esta energia que nos circunda pode e deve ser moldada por nós mesmos, a fim de evitar que seja moldada por acontecimentos externos. Uma injustiça, uma traição, uma atitude de ódio dirigida a você pode minar esta energia. Te derruba, te destrói.

Contudo, não deixa de ser energia. Cabe a você decidir o que fazer com ela. Vai deixar que te aniquile, ou vai usá-la como trampolim para subir mais alto ainda? Vai usá-la como experiência, para evitar que caia novamente no buraco, ou vai fazer dela uma cama de autopiedade?

Aqui, acredito que somos nosso próprio inimigo, pois se nos vitimamos, nos colocamos na posição de injustiçados do universo, seremos nós mesmos que iremos nos deixar naquele lugar escuro, cercado de energia negra. Não fomos nós que nos colocamos lá, mas fomos nós que nos deixamos lá.

Então, devemos ser nossa própria cura, erguer-nos daquele abismo e renascer, desta pequena morte de quem fomos. A dor, os momentos aparentemente insuperáveis nada mais representam do que a morte de quem fomos, para possibilitar a construção de quem seremos a partir de agora.

E como fazer isso? Não tenho a fórmula mágica, infelizmente. Porém, tenho algumas sugestões: amor, devoção ao bom e ao belo. Recupere aquilo que te faz feliz, dance, medite, escute uma música de que goste. Procure alguém que possa lhe auxiliar nesta jornada para fora do buraco que se abriu dentro de você. Respire fundo, olhe para o céu, o mar, as árvores. Conecte-se com você.

O mais importante de tudo, faça o primeiro movimento em busca da cura. Quando menos esperar, o buraco de dor será apenas uma memória, um obstáculo na estrada de sua vida. Não deixe que um buraco se torne todo o seu caminho.

A verdade é que quem nos machuca às vezes o faz de propósito, às vezes não. Às vezes acaba machucando a si próprio, às vezes sequer percebe que o fez. Faz por pura maldade, ou acidentalmente. Não importa. O que importa é como você vai reagir a isso. Que seja da melhor maneira possível, aquela que cure sua alma, um pedacinho de cada vez, tornando sua jornada pela vida mais colorida e feliz.

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Carolina Cavalcanti Pedrosa
"Curitibana, com o coração no mundo. Adoro escrever, ler, um bom filme e passar o tempo com minha família e amigos. Gosto de colecionar momentos. Vejo a vida com olhos de poesia, e transformo tudo em palavras. Encontro nelas meu refúgio e minha forma de espalhar amor e luz no mundo. Que elas possam deixar seu dia mais feliz e seu coração mais leve. Vem comigo?"

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