Quantos de nós não lutamos para conquistar alguém, dando o nosso melhor, para, depois de termos nos estabilizado junto ao amor de nossas vidas, deixarmos de lado as gentilezas que alimentam o afeto que embasa a vida a dois? É como se, uma vez juntas, as pessoas não precisassem mais que se lhes regassem os sentimentos, como se sentimento fosse eterno, mesmo no vazio de um vai sem volta.

Na verdade, os dias estão por demais céleres e atribulados, roubando-nos quase todo o tempo de que dispomos, assoberbando-nos os sentidos e estafando nosso corpo e nossa alma. Ao final do dia, estamos exaustos e acabamos levando para além das paredes do escritório as preocupações que acumulamos lá dentro. Avolumam-se os problemas, as contas, as dívidas, as minhocas na cabeça.

Embora saibamos o quão nocivo é não conseguirmos nos desligar dos compromissos, quando estamos tentando usufruir de nossos horários de lazer junto à família, aos amigos, ou mesmo sozinhos, na quietude de nosso lar, torna-se quase que impossível conseguir esse distanciamento dos contratempos, para que a calma nos alcance. E é assim que acabamos descontando, muitas vezes, nossos desgostos justamente em quem não tem nada a ver com eles.

Não tem outro jeito: não podemos nos esquecer de regar o amor, de valorizar quem caminhou conosco de mãos dadas, quem nos ama com afeto sincero. Ainda que estejamos alquebrados, mesmo que a canseira tome conta de nosso corpo, não importa o tanto de problemas enfrentados naquele dia, quem nos espera de braços abertos no retorno disso tudo merece ao menos um sorriso, olhos nos olhos, um “eu te amo”, se não dito, demonstrado, em gestos singelos, em ficar junto de fato.

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".

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