Você passa por eles várias vezes ao dia, talvez já até tenha esbarrado em algum enquanto checava seus e-mails no celular. Pode ser que já tenha sido atendido por um deles naquele café da esquina do seu prédio ou no cartório da praça. Não, eles não são alienígenas e nem vão pra casa de disco-voador. Henri Ford diria que eles podem facilmente ser substituídas por máquinas… E você diria que não faz ideia do seu nome, idade ou cor do cabelo. Sim, você passa por ele todos os dias e nem bom dia dá. Você faz o seu pedido e nem levanta a cabeça para ver quem veio lhe entregar. Você paga as suas contas, retira seu dinheiro, mas não tem a menor ideia de quem está ali do outro lado do balcão. Meu caro, ali do outro lado tem também um ser humano… Que também tem contas pra pagar, filhos pra se preocupar, pais que estão ficando idosos e precisam de cuidados, casa pra arrumar, roupas pra lavar, compras pra fazer. Assim como você, ele também teve insônia na noite passada, perdeu o horário do ônibus, chegou atrasado no trabalho, levou uma bronca do chefe e agora está na sua frente prestando um serviço para você. Ele deve sim prestar-lhe um bom serviço, atender com gentileza, ser cordial, paciente e ágil… Mas meu amigo, ele não é uma máquina que obedece a comandos cuidadosamente programados e planejados, por mais incrível que pareça, ele é um ser humano como você. E você não o conhece, não sabe sobre seus problemas, seus sonhos, suas frustrações, o que lhe amedronta ou entristece. Aliás, você não precisa mesmo saber disso, a única coisa que precisa ser levada em consideração é: ele é um ser humano. E seres humanos não são perfeitos, eles também ficam cansados, estressados, brigam com as esposas, engolem sapos, choram escondidos no chuveiro, recebem uma notícia triste. Tolerância é uma palavrinha que tem andado cada vez mais em desuso, mas que pode ser a chave pra uma convivência harmoniosa entre as pessoas. Claro, você não precisa tolerar calado um atendimento ruim onde o seu problema não foi resolvido, mas pode tolerar aquela cara não muito sorridente do atendente. Pode ser que ele tenha perdido um amigo de infância, ou acabado de receber a notícia que será demitido no próximo mês, ou ter acordado num dia ruim mesmo. Todos nós passamos por isso, temos nossos dias de “pé esquerdo”, de humor pouco agradável e de cansaço extremo… E também merecemos respeito, tolerância e compreensão. Ele está sendo pago pra isso? Sim. E você também está, e nem por isso realiza seu trabalho com excelência todos os dias. Cuidemos das nossas palavras ríspidas, dos nossos acessos de raiva e do nosso descontrole emocional. E cuidado para não exigir perfeição, você também não é dono dela.

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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