Com 5 anos eu decidi que meu pai deveria tirar as rodinhas da minha bicicleta, com isso, abri mão da minha segurança para em troca testar as minhas habilidades e meu equilíbrio. Com 8 anos eu deixei pra trás a escola que eu estudava desde o pré e fui para uma que o máximo que eu sabia sobre ela era o nome e que tinha uma cantina que vendia coxinha. Com 14 eu decidi que queria uma festa de 15 anos. Com 16 eu escolhi namorar e assim abrir mão das festas e curtições da adolescência. Com 17 eu optei por cursar Psicologia e com isso deixei pra trás todas as outras possíveis profissões que eu poderia ter. Aos 18 eu abri mão do meu soninho da tarde para em troca fazer um estágio, não remunerado, mas que me daria a possibilidade de ter meu primeiro contato com a profissão que eu havia escolhido seguir. Com 19 eu renunciei a um namoro que me era conhecido, confortável em troca de viver coisas novas e desconhecidas. Com 20 eu neguei pela primeira vez algum tipo de drogas que me ofereceram numa balada em Buenos Aires e corri o risco de ser julgada como careta. Aos 23 eu decidi que queria sair da faculdade empregada e com isso sacrifiquei meus últimos meses de aula conciliando uma carga horária de 44 horas semanais com mais dois estágios. Com 24 eu troquei uma proposta de trabalho que me pagaria o dobro, por uma que possivelmente me traria maior satisfação pessoal e profissional. Aos 26 eu optei por dar mais uma vez um giro de 360º na minha vida e decidi que queria viajar pelo mundo e morar sozinha. Com 27 eu arrumei minha mala e fui pra um continente desconhecido, viver novas histórias, conhecer novas pessoas e me conhecer num lugar que até então eu desconhecia. Ainda com 27 eu troquei o conforto da minha casa, da comidinha da mamãe sempre pronta, das roupas lavadas e passadas, do abraço carinhoso nas chegadas e nas partidas pra morar no meu apartamento, lavando, passando, cozinhando e por vezes falando sozinha. Com 28 eu troquei a vida sedentária por um tênis de corrida, as noitadas pelas trilhas na praia, o chegar em casa as 5h da manhã pelo acordar as 5h pra ir correr. Ainda com 28 eu troquei as pizzas, as macarronadas, os sorvetes, as bolachas recheadas, os salgadinhos e mais um tanto de outras coisas saborosas pra experimentar outros sabores mais saudáveis e mais nutritivos. Com 29 eu decidi voltar mais uma vez pra terapia porque precisava enxergar de novo quem eu sou e o que quero da vida. Escolhas e renúncias, algumas bem pensadas e calculadas, outras repentinas. Algumas eu tomei por livre e espontânea vontade, outras não tive muito como optar. Escolhas que fizeram de mim quem eu sou hoje, escolhas que falam da minha trajetória e dos caminhos pelos quais decidi percorrer. Em cada escolha a renúncia de algo que precisou ficar pra trás… Em cada escolha a dúvida, o medo, a insegurança, mas em cada uma a ansiedade pelo novo que viria, a curiosidade pra saber como seria. E que assim seja sempre, que o medo não me paralise, que o conforto não me impeça de querer mudar e que o novo seja sempre bem-vindo…

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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