Que a gente leu e ouviu muitos contos de fadas na infância isso não é novidade pra ninguém… Que a gente acreditou mesmo que o príncipe existia… Que os finais felizes eram sempre possíveis… Que existiam pessoas boas e pessoas más e essas eram facilmente reconhecíveis… Histórias que marcaram a nossa infância, mas que volta e meia povoam o imaginário na nossa vida adulta. Dos contos-de-fada queremos a perfeição, queremos o felizes para sempre, queremos o príncipe que chega na hora certa, queremos o que já vem pronto e “cai no nosso colo” sem que pra isso façamos o menor esforço. Já vivemos décadas acreditando mesmo no “Era uma vez… E viveram felizes para sempre”, já tivemos isso como verdade inquestionável. Eis que a humanidade passou por grandes transformações, mudamos a forma de pensar, de agir e principalmente de nos relacionar. O sempre caiu em desuso, a não ser que o sempre seja uma noite apenas. Deixamos de acreditar em príncipes e passamos a entender que não existem boas ou más pessoas, existem pessoas que erram, acertam, pisam na bola, pedem perdão, cometem barbáries e se arrependem ou não. Conto-de-fadas deu espaço as nossas histórias que nos são possíveis, príncipes e princesas deram lugar a pessoas de carne e ossos revestidas de humanidade e tudo que advém disso, o pra sempre passou a ser relativo, podendo durar uma hora ou uma vida. Mas, junto com todas essas transformações veio a banalização dos sentimentos, a efemeridade das relações afetivas, a liquidez do que chamamos de amor. Saímos de um polo mas não necessariamente precisamos ir para outro. Ainda podemos acreditar em relações afetivas saudáveis, podemos acreditar em histórias felizes, ainda podemos acreditar que o pra sempre pode existir e que esse pra sempre tem o tempo que você desejar que ele dure. Não, não existem príncipes, nem castelos talvez, nem histórias totalmente felizes. Mas existem seres humanos, com as suas fragilidades, suas qualidades, seus medos e suas esperanças… Existem histórias construídas a dois, com esforço de ambos, paciência, cuidado, zelo e respeito para com o outro… E mesmo que essas histórias não pareçam em nada com conto-de-fadas, mesmo que elas não sejam protagonizadas por príncipes e princesas, mesmo que elas não rendam um best-seller… Vale a pena vivê-las… Porque somos humanos, porque precisamos um dos outros, porque é na convivência com os demais que nos tornamos pessoas melhores, porque as nossas histórias não precisam ser perfeitas para serem bonitas.

Imagem de capa: Pixabay

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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