Pensei comigo, e se nosso amor fosse de trás pra frente? Eu acho que começaria com as músicas, com cada vez que ouço Rubel e me lembro de ti. Esses dias tocou na TV e eu pensei, será que ela tá ouvindo? Logo em seguida eu seria coberto pelo melhor sentimento de toda a nossa história, gratidão. Gratidão pelo que aprendi e por tudo que me tornou quem eu sou hoje e que aos poucos vai me orgulhando.

Depois? Depois vem a saudade. Foi uma saudade doída às vezes. Um pouco fria em alguns dias, mas ganhou um espaço em meu coração que agora faz ele quentinho mesmo diante do pior inverno. Foi de saudade de ti que deixei de me desperdiçar em beijos que não eram os seus, de corpos que não tinham seu cheiro e nem deixei na minha cama um amor que não foi o nosso. Se nosso amor fosse de trás pra frente, nesta hora viria uma despedida triste com você desistindo da gente e eu, te deixando ir com o coração na mão, mas com a fé de que sua felicidade valia bem mais que a minha.

E e o amor fosse assim, ao contrário? Neste momento viria o calor da nossa cama, o reencontro, os planos e tudo aquilo que sonhamos juntos. Eu mudaria de cidade pra ficar perto de ti. Logo viriam manhãs de preguiça no domingo. – Eu faço a maionese, gritaria. Viriam os jantares correndo pra te agradar. Viriam as flores, as comemorações. Viriam dias tristes também, mas com a gente de mãos dadas e olhando pra frente. Uma hora você passaria sorrindo com uma camiseta minha e um copo gigante de Coca-Cola, correndo logo pra de baixo do cobertor. Nessa hora, a gente sentiria junto algo que marcou nossa história. Uma lágrima escorreu do seu rosto quando você imaginou a gente casando, lembra? Era fé no amor, fé em nós.

Talvez, mesmo sendo ao contrário, a gente passasse uns períodos meio sombrios e distantes, mas, logo a gente se aconchegaria em todo dia achar que éramos feitos um para o outro. Eu conheceria sua tia que mora em outro estado, os discos antigos da sua mãe. Eu ficaria meio aflito e ansioso te vendo dirigir pela primeira vez e tudo isso acabaria num abraço e um riso frouxo, daqueles dos nossos primeiros fins de tarde. Se fosse mesmo assim, de trás pra frente, nessa hora a gente estaria na cama, que com certeza seria o nosso lugar preferido, eu escrevendo meus primeiros textos sobre a tua pele e a saudade que meu cobertor tinha de ti. E você, me mostrando que um sorriso faz a paz nascer dentro da gente.

Por falar em sorriso, esta seria a melhor parte. Frio na barriga, mãos suando, nossas primeiras vezes em tudo. Torcendo pra que a semana passasse logo pra gente se ver. Um cá, um lá, um final de semana de paz e outro de loucura. Se fosse assim, do fim pro começo, eu, nesta hora, seria o cara mais feliz do mundo com a fé de que teria encontrando o amor da minha vida. Dividindo a vida, os segredos, os medos. E depois de seis horas falando no telefone, – Quem acordar primeiro manda bom dia.

Aí, num Domingo, eu ligaria pra você perdido numa esquina qualquer. – Hey, onde você mora? Eu vim pra te ver. Você ficaria ansiosa no telefone, eu errando uma rua ou duas, tu rindo da minha cara. Estaciono o carro, vem você com o telefone ainda na mão, caminha lentamente, é fim de tarde e o sol já vai se dormir, o céu fica rosa, suas bochechas também. Você sorri. – É, você me achou. Minhas mãos e as suas, um beijo. E o mundo era meu e teu. É, que incrível seria se tudo acontecesse de trás pra frente. O amor começaria em saudade e terminaria na gente.

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Giovane Galvan
Giovane Galvan é taurino, apaixonado e constantemente acompanhado pela saudade. Jornalista, designer, produtor e redator, escreve por paixão. Detesta futebol e cozinha muito bem. Suas observações cotidianas são dramáticas e carregadas de poesia. Gosta do nascer e do pôr do sol, da noite, mesas de bar e do cheiro das mulheres pra quem geralmente escreve. Viciado em arrancar sorrisos, prefere explicar a vida através de uma ótica metafórica aliando os tropeços diários a ensinamentos empíricos com a mesma verdade que vivencia. Intenso, sarcástico e desengonçado, diz que tem alma de artista. Acredita que bons escritos assim como a boa comida, servem de abraço, de viagem pelo tempo e de acalento em qualquer circunstância.

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