Eu descobri que todos nós temos asas, mas nem todos nós sabemos voar. Alguns porque não foram ensinados a bater as asas, outros porque começaram a voar e foram de alguma forma podados, e outros que conscientemente escolheram pousar e ficar onde estão. Bonito é quando a gente descobre que pode ir longe, que pode fazer voos altos, que pode arriscar uma nova maneira de voar… e mais bonito ainda é saber que pode voltar quando quiser, como quiser e se quiser. Eu escolhi aprender a voar. Comecei devagar, tive medo de altura, pensei algumas vezes em voltar, precisei de ajuda de outras pessoas, quis me segurar em algo ou alguém. Aprendi a respeitar os meus limites, aprendi que durante o caminho poderia contar com a ajuda de muitas pessoas, mas bater as asas era algo que ninguém poderia fazer por mim. E essa escolha me fez forte, me fez aprender a tomar decisões, me fez enxergar o mundo de vários ângulos. Cai algumas vezes, cheguei a pensar que não voaria mais, cheguei a achar que não tinha mais asas. Senti frio, medo, insegurança, achei que estava no caminho errado, voei sem saber ao certo onde chegaria… Enfrentei ventos e tempestades, encontrei pessoas que faziam o mesmo caminho que eu, encontrei outros vindo em direção contrária. Esta é uma caminhada por vezes solitária, cada um de nós está fazendo o seu próprio voo, e é importante contar com parceria em alguns momentos, mas não podemos e nem devemos pegar carona no voo do outro. Você pode sim seguir na mesma direção, mas porque escolheu assim, porque decidiu dessa forma, e não porque é mais fácil pegar carona e deixar que o outro bata as asas por você. Quem decide voar passa a ver o mundo com outros olhos, passa a enxergar paisagens que quem está no solo não vê… E quanto mais alto se vai, mais difícil é conseguir pousar novamente. Difícil porque se acostumou com a vista lá de cima, difícil porque a distância vai ficando maior, difícil porque pegou gosto pelas alturas. “Deus dá asas, faz teu voo.” Não importa quão pequeno você é, não importa há quanto tempo aprendeu a voar, não importa o tamanho das suas asas… É a sua vontade, sua determinação, sua paciência e sua persistência que lhe farão chegar onde você quiser. Voando rápido ou devagar, fazendo voos longos ou curtos, sozinho ou acompanhado, é você que decide como, quando e onde chegar. Nem sempre é fácil, nem sempre o que planejamos acontece, nem sempre terão pessoas dispostas a nos ajudar, nem sempre o caminho será bonito e agradável… Mas importante é estarmos conscientes das nossas escolhas. Talvez hoje você esteja confortavelmente pousado em algum lugar, talvez esteja voando nas asas de alguém… É aí que você gostaria de estar? É essa paisagem que você quer continuar vendo? Se a resposta for sim, sinta-se feliz com a sua decisão. Se a resposta for não, olhe ao seu redor, tente bater as asas, peça ajuda para quem já está voando, estude sobre o lugar que deseja ir… e vá. Não há nada que lhe prenda aqui, a não ser suas próprias escolhas.

Imagem de capa: Mila Supinskaya Glashchenko, Shutterstock

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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