Ei, menina, para um pouco. Não seja tão cruel com você mesma. Sossega esse coração, diminua esse ritmo, acalma essa cabecinha agitada. Olhe-se com mais carinho, tenha mais paciência com seus erros, seja mais tolerante com aquilo que não sai do jeito que você quer. Por mais que você queira, resolver os problemas do mundo não está ao seu alcance, então, permita que as pessoas ao seu redor vivam os sofrimentos que precisam viver. Você é forte, mas incapaz de carregar todo peso nas costas sozinha, peça ajuda, retire alguns pesos, abandone o desnecessário, carregue apenas o que lhe compete. Não, você não precisa ouvir todo mundo sempre, não precisa ter sempre uma palavra de consolo, não precisa pegar as dores pra si, e isso não fará de você uma má pessoa. Tire um tempo pra fazer as suas coisas, pra cuidar do seu jardim, pra enfeitar sua alma, pra preencher seus espaços vazios. Ouça mais sua intuição quando ela lhe aponta que é hora de parar, tomar fôlego pra depois continuar. Sabe, a beleza também está no caminho, também está nos passos dados pra chegar a algum lugar, não tenha tanta pressa. Olhe ao seu redor, respire devagar, esvazie sua mente de pensamentos ruins. Você tolera tão bem os erros de quem está ao seu redor, por que então tem tanta dificuldade pra tolerar suas próprias falhas? Ei, menina, você é ser humano também, tem todo direito de cometer erros, de estar cansada, de não querer ver e nem falar com ninguém. Ouça mais o seu corpo e pare de achar que ele é uma máquina! Não é, ele vai falhar, vai doer, vai se cansar, vai precisar de pausa, e sobretudo, vai precisar de cuidado. Por falar em cuidado, você tem se cuidado pouco também, tira tempo pra cuidar de todos ao seu redor e esquece que também precisa olhar-se. Menina, você não precisa ganhar sempre, acertar sempre, chegar em primeiro sempre, você não precisa provar nada pra ninguém. Não pense que as pessoas que lhe amam irão deixar de amar apenas por você não corresponder a todas as expectativas delas. Não! Aliás, as que amam você de verdade irão ficar ao seu lado nas suas derrotas, nos dias que você não tiver forças pra levantar da cama, nos momentos não tão divertidos e felizes assim. E também, pare de se preocupar tanto com o que os outros vão pensar sobre você. Eles não calçam seus sapatos, eles não andam pelos seus caminhos, eles não carregam os seus pesos, eles não conhecem suas marcas e suas dores. Aliás, por falar nos outros, permita que eles façam por você aquilo que você faz por eles. Permita-se ser cuidada, ser paparicada, permita que lhe façam carinho, que se preocupem com você. Conte seus problemas, divida as suas dores, compartilhe seus momentos de solidão. Aceite abraços, aceite carinho, aceite atenção. E sobretudo, aceite-se, do jeito que você é, do jeito que lhe é possível ser. Aceite seus erros, aceite seus dias difíceis, aceite suas fragilidades, aceite sua imperfeição. Você é amada, você é querida, você é importante, e isso independe de quantas forem suas quedas, independe de quantas vezes for preciso levantar-se mais uma vez, independe dos erros que você cometer. Ei, menina, pegue um pouco desse amor que você tanto distribui, e guarde um pouquinho pra si, você merece.

Imagem de capa: Aleshyn_Andrei, Shutterstock

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Josielly Pinheiro Westphal
"Psicóloga de vez em sempre, organizada de vez em nunca. Escreve sobre coisas aleatórias e em momentos mais aleatórios ainda. Tem mania de observar tudo ao seu redor, mas tem opinião formada sobre bem poucas coisas. Aprendiz na arte de encerrar ciclos e de se abrir para novas experiências. Acredita em Deus e nas pessoas. Gosta muito do mar, de sol, da família, dos amigos. Corre, malha, faz trilha, come e bebe quando tem vontade. Sensível e durona, teimosa e manhosa: HUMANA.

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