Temos sede. Andamos pelo deserto da vida com sede. Queremos saber mais, conhecer mais, ser mais. Porém, temos medo, preguiça ou simplesmente não queremos levantar e buscar a água. A água que nos hidratará, que nos fará inteiros outra vez.

Temos fome. Fome de vida. Fome de amor. Fome de pertencimento. Contudo, o medo de não vivermos, de não sermos amados e de não pertencermos nos paralisa, e nos impede de ir atrás daquilo que ansiamos.

A tecnologia não mudou isto. Sempre foi assim. Sempre quisemos demais e conquistamos de menos. Preferimos o sofrimento, pois sabemos como ele é, já o conhecemos, do que a felicidade.

Se estivermos felizes, há algo de errado. Desconfiamos de nossa própria sombra, pois ela pode nos trair. Renegamos nossos desejos, pois temos medo de realiza-los.

Tudo isso ocorre porque agimos impelidos pelo devia ser. Devíamos ser felizes, então não vou ser. Vou ser o que eu quiser, mesmo que eu não saiba bem o que eu quero. Deixamos as influências externas dominarem nossas vidas, guiarem nosso futuro. Deixamos de ouvir nosso coração, o guia mais precioso.

Então, buscamos cursos, livros, especialistas em ouvir a própria voz, em seguir o próprio instinto, pois não sabemos mais por onde começar. Não reconhecemos o divino dentro de nós, aquela parte que sabe para onde ir, que não responde ao medo, à cobrança.

Ser quem se é nunca foi tarefa fácil, é inclusive perigoso sair de peito aberto neste mundo recheado de flechas prontas para serem atiradas. Assim, criamos máscaras, a perfeita filha, o marido ideal, a amiga leal, a profissional de sucesso.

Enquanto isso, estamos sufocando por dentro, amargurando dentro de nós mesmos, sem bússola, sem direção.

Afastar este medo de viver, abrir um pouco a couraça para a vida é o que precisamos fazer para conseguir ter o mínimo de felicidade, de realização, de amor.

Permitir-nos viver de verdade, independente do que o outro vai pensar. Ser livre de mente, corpo e alma. E viver. Matar a sede e a fome da existência e ser plenamente quem se é.

Imagem de capa: PlusONE, Shutterstock

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Carolina Cavalcanti Pedrosa
"Curitibana, com o coração no mundo. Adoro escrever, ler, um bom filme e passar o tempo com minha família e amigos. Gosto de colecionar momentos. Vejo a vida com olhos de poesia, e transformo tudo em palavras. Encontro nelas meu refúgio e minha forma de espalhar amor e luz no mundo. Que elas possam deixar seu dia mais feliz e seu coração mais leve. Vem comigo?"

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