Há muito tempo, ainda bem no início da Criação, quando os humanos nem estavam totalmente prontos, Deus percebeu que erámos muito impacientes, o que não lhe agradou. Na tentativa de mudar isso, ele colocou um saco da paciência dentro de cada um e avisou que cada saco teria um tamanho diferente e que ele explodiria quando estivesse cheio.

O problema é que as pessoas começaram a pirar. Como ninguém sabia o tamanho do próprio saco, todo mundo acreditava que seu saco já poderia explodir assim que entrava alguma coisa nele. Todos temiam já estar de saco cheio e isso causou um pânico geral.

Preocupado, Deus chamou os anjos que o auxiliavam e pediu para que, juntos, tentassem buscar uma solução. Ele queria especialmente a opinião do anjo-engenheiro de comportamento e esse explicou que o problema é que as pessoas precisariam calibrar o próprio saco da paciência e, assim, aprender a lidar com ele sem esse medo dele explodir a qualquer momento.

<>, perguntou-lhe Deus.

<>, respondeu o anjo-engenheiro.

<>, disse Deus, indo em seguida para sua planilha e rabiscando umas coisas.

Voltou-se depois para a equipe de anjos e apresentou sua mais nova criação: um ser humano com cara de piolho maçante, capaz de torrar a paciência de qualquer um. Pronto, assim nasceu o chato, com a função de testar nossa paciência e nos ensinar a lidar direitinho com as chatices da vida.

Portanto, não se chateie quando um chato encher seu saco. Seja é grato, pois ele, na verdade, cruzou seu caminho para lhe ajudar a calibrar seu saco para que você saiba quanta paciência cabe nele e quando é o momento de esvaziá-lo, antes que ele encha demais e exploda.

Veja então quem são os chatos em sua vida, procure-os, dê-lhes um abraço bem apertado e agradeça a eles por essa função tão importante que têm de calibrar nossa paciência.

Imagem de capa: Marjan Apostolovic, Shutterstock

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Gustl Rosenkranz
Blogueiro brasileiro residente em Berlim.

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