Um relacionamento nunca termina só por causa de uma das partes.

Eu sempre me tranquilizei com a ideia de que eu tinha feito tudo que podia para a gente dar certo. Achava que sabia todos os meus defeitos. Me convenci que tinha feito muito mais pelo nosso namoro que você e essa arrogância me cegou ao ponto de não ter conseguido admitir que não dei o meu melhor. Não que sua dificuldade em demonstrar sentimentos e nosso problema de comunicação tenham deixado de ter suas parcelas de responsabilidade no nosso término. Ainda acho que as coisas seriam mais fáceis com carinho, companheirismo e conversa, mas sinto que também preciso assumir meus erros. Diferente do que eu vivo dizendo, não entrei completamente no seu mundo. Sempre ressaltei nossas diferenças. Esperava que você tivesse meus gostos quando eu criticava os seus. Sem querer, ficava comparando o que tínhamos com meu antigo relacionamento. Apontava mais seus defeitos do que as qualidades. Esperava que você se abrisse para mim, quando eu mesma era uma concha em muitos momentos. Transferi para você a responsabilidade de me amar, quando às vezes nem eu conseguia fazer isso. Joguei em você uma bagagem de complexos sentimentos mal resolvidos dentro de mim, esperando que você pudesse arrumá-los sem eu nem te explicar que eu queria isso. Respondia à sua frieza com independência quando na verdade o que queria era seu colo. Me fingi de forte inúmeras vezes, quando tudo que eu queria era desabar. Por não sentir segurança que você me pegaria, nunca me atirei de verdade nos seus braços. Não demonstrava tudo que sentia pelo medo de que você não respondesse à altura. Com medo de bater a cabeça no fundo, eu não mergulhei. Fiquei com os pés dentro d’água achando que tinha o direito de cobrar que você não entrava na piscina.É difícil admitir isso. Me assusta estar assim tão exposta. Mas acho que admitir os erros é o primeiro passo para a mudança. Eu tenho muito para mudar. Você também. E eu sinto não termos conseguido fazer isso juntos, mas eu já sou muito grata por conseguir me mostrar o óbvio: um relacionamento nunca termina só por causa de uma das partes.

Imagem de capa: Stock-Asso, Shutterstock

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Geovanna Argenta
Sou a segunda de um quarteto fantástico, que tem os pais como inspiração. Goiana de nascimento, fui amadurecida pelo calor do norte brasileiro, no querido Tocantins, onde cresci e criei laços eternos. Coração inquieto de natureza, morei um tempo nos Estados Unidos, na França e no Distrito Federal, até voltar para minha terra natal, a Capital do Amor (ou do Sertanejo, se preferir): Goiânia-Go. Jornalista de formação, especialista em Relações Internacionais e nos últimos anos trabalhando com marketing, sempre tive paixão por escrever. Desde os primeiros rabiscos que eu chamava de poesia aos 12 anos, o papel e a caneta (e nos últimos anos também o teclado), têm sido bons tradutores da minha alma. Apaixonada por família, viagem, livros, doces e o namorado. Há 27 anos uma virginiana curiosa, cheia de sonhos, dramas e paixões, prestes a viver a maior aventura da vida: ser mamãe.

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