Pessoas são sempre passíveis de mudanças de comportamento. Basicamente, suas atitudes são sempre avaliadas pelo exterior e não pelo interior. Daí, de acordo com julgamentos precoces e indefinidos, vem à tona aquilo que há no seu interior. Eu repito, suas atitudes são sempre avaliadas pelo exterior. Isso baseado no que disse Albert Einstein “A maioria de nós prefere olhar para fora do que para dentro de si mesmo.” (A. Einstein – 1879-1955).

Existem pessoas que vivem se desculpando por viver, por fazer parte da sociedade. Isso mesmo! Parece que essas pessoas estão sempre “à margem da sociedade” e por isso estão sempre se “vitimizando”. Elas gritam de forma inaudível: “Me desculpem por existir, por respirar o mesmo ar que vocês respiram.” Se sentem tão inúteis, que às vezes, passam despercebidas por si mesmas; ou se escondem do mundo por se julgarem uma “anomalia” nesse mundo no qual somos sempre cobrados a buscarmos a perfeição, um padrão. Numa dessas minhas viagens pelo estado de Goiás, conheci um homem. Ou melhor, um ser imperfeito. Sim, imperfeito em muitos aspectos, como eu ou como qualquer outra pessoa. Mas além da sua “imperfeição”, tem também uma mutilação.

Uma perna lhe fora amputada em decorrência de um acidente de trânsito. Que pena, muitos pensam. E talvez até chorem comovidos com sua perda e se entristeçam por vê-lo naquela situação. Ele, entretanto, agradece a Deus pela vida que lhe fora preservada. E tem tanta vontade de viver, como qualquer outra pessoa, compreendendo que a vida é um eterno desafio e que cada dia é uma etapa de uma prova a ser vencida.

A sua mobilidade foi reduzida. Não alterou porém, em aspecto nenhum, o seu intelecto. Porque decidiu aceitar a sua condição e seguir em frente. Vencer o desafio é a sua meta. Como uma nova experiência de vida. A sua força e vontade de viver servem de exemplo para aqueles que vivem “choramingando” devidos as suas mazelas, não permitindo que o influenciem desfavoravelmente. Resolveu não atropelar a vida, apenas deixar que ela siga o seu curso.

Algumas pessoas encasquetam na cabeça a ideia de que são inúteis. Ainda mais quando essa opinião é compartilhada com pessoas que também tem baixa estima, pessoas que veem dificuldades nas tarefas mais prazerosas, perdendo a motivação para viver. Muitas pessoas têm limitações e isso não as incapacita de viver e ser feliz, de sorrir!

Algumas não podem correr, não podem andar, não podem subir uma montanha e ouvir. Outras, tampouco podem respirar naturalmente. Mas precisamos compreender que todos temos lugar ao sol. Que a vida não acabou. Pode até parar por algum motivo e por um tempo, mas podemos continuar desse ponto. Algumas coisas não poderão ser feitas por qualquer pessoa apenas por falta de interesse, mas tudo o que a pessoa pode fazer é seguir em frente. É o que sempre digo. Seguir em frente! Manter-se numa atividade constante, ocupar a mente, o espírito.

Manter-se ativo é uma questão de oportunidade, e oportunidades não podem ser perdidas. A energia, a ousadia não podem ser perdidas e devem estar vivas no nosso interior.

Bem, a vida é mais que isso. É mais que angústia. É respirar fundo e seguir em frente, com a estranha sensação de que sempre vale a pena. Que os obstáculos podem ser vencidos.

E o Dico decidiu que seria um vencedor, e que viver sempre valerá a pena.

Imagem de capa: Look Studio, Shutterstock

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Jorge Amaral
Jorge Amaral, brasileiro, natural de Ataléia/MG. Colunista e escritor semi-profissional. Livro publicado – PALAVRA É ARTE – Coletânea com outros autores. Escrevo porque considero a minha vida como uma eterna poesia, porque me perco na escrita e me encontro na leitura.

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