Aquela mania de sempre perguntar ao universo, até quando?

Não sei você, mas já fiz essa pergunta incontáveis vezes. Nunca tive resposta, a vida continuou e foi isso. Aos 26 anos e inúmeros questionamentos feitos, finalmente entendi que eles nunca serão respondidos.

Calma, isso não é a vida sendo vilã.
Para os que acreditam em destino ou acaso, religiosos ou não – todas as coisas, repito, todas as coisas acontecem para que algo seja aprendido.

Bá, isso se estende às coisas “ruins”?
Sim, inclusive as coisas que não gostaríamos que acontecessem.

Tudo acontecerá em uma sequência (espaçada ou não) de vezes que tiver de ser, é assim que é. O motivo é muitíssimo simples.

E então, até quando?

Após muito tempo andando em círculos, percebi que mesmo com atitudes diferentes diante do acontecido, as coisas continuavam a acontecer. Até que um dia ouvi alguém dizer:

“Em vez de perguntar o motivo pelo qual isso tudo está acontecendo, você já perguntou o que deveria aprender com tudo isso?”

BIN-GO!
Era isso! A vida não gostava de ser interrogada, mas ela adorava ensinar – e foi a partir desse dia que decidi aprender.

Vale dizer que o aprendizado aqui era intencional – eu DECIDI ser ensinada pela vida. Abrir os olhos para tudo que estava acontecendo dentro e fora de mim – decidi que seria mais sensível a tudo que acontecia. E então, um ciclo vicioso tornou-se uma lição.

Quando falo de aprendizado consciente, quero dizer que se algo acontece diversas vezes, naturalmente você aprenderá a lidar com a situação – mas quando você, conscientemente decide aprender, observar, anotar (se for preciso), você torna esse momento ainda mais rico e eficaz.

Aprendi que além da vida querer te acrescentar em algo, a possibilidade de que a situação voltasse era possível. A diferença é pequena, um raciocínio “leve”: Se a vida te trouxe para o mesmo lugar de outrora, a lição será uma nova.

Talvez não faça sentido voltar para algo que já viveu para aprender uma nova coisa. Então, darei um exemplo bem corriqueiro.

Você finalmente conseguiu sair da casa dos seus pais. Um ótimo emprego, possível estabilidade financeira e emocional – um sonho. E então, cinco anos depois, o país é afetado por uma crise econômica e até o cargo mais estável de uma empresa é abalado. Resultado: Você está desempregado. As contas começam a acumular, não tem freela, tudo parece um caos – é preciso voltar para a casa dos pais. Choro, grito. Você está completamente diferente, não consegue se enxergar mais naquele quarto – com aquela rotina, naquele lugar. Tudo mudou. Dentro e fora de você, nada é igual. E então, começa uma incrível lamentação – o único pensamento que se tem é: retrocedi, perdi.

Mas para esse caso (e vários – infinitos outros), você terá algumas opções:

( ) Chorar, lamentar – Entrar em um limbo de ingratidão sem data para terminar.
( ) Chorar, sacudir a poeira – Aproveitar esse tempo de volta em casa para repensar estratégias, reciclar os estudos. Gostar tanto de ter voltado que decide não sair mais. Aqui é o meu lugar!
( ) Chorar, entender – Entender que é normal ficar triste, afinal, você perdeu muita coisa que gostava. Em seguida, agradecer – tudo bem vida, eu recebo o que me oferece. Aproveitar esse tempo de volta, dar mais atenção aos seus pais e irmãos (ou seja qual for a sua configuração familiar), refletir em novas possibilidades, levantar-se e ir em busca de uma nova coisa – MAS antes de tudo, uma pergunta: Ei vida, o que tem para me ensinar com esse momento?

*Importante: O choro se repete em todas as opções propositalmente. Não há nenhum problema em chorar, sentir a mudança e demonstrar isso fisicamente. Diferente do que muitos pensam, existe algo muito incrível no choro – seria interessante pensar que ele existe por um motivo – de alegria ou de tristeza – de dor ou cura – para homens, mulheres e não binários – para todos – é bom chorar.

Você leu ali atrás?
“(…) esse momento” – sim, tudo passa, tudo muda – a vida é um sopro. Todas as coisas que a vida/universo lhe traz é potencialmente aproveitável. Receba e perceba.

Essa é uma cartinha do coração – entenda os processos, agradeça. As coisas acontecerão quantas vezes for preciso.

Imagem de capa: MJTH, Shutterstock

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Bárbara Fernandes
Sempre escrevi em diários, e guardava-os todos para mim. Até descobrir que existiam mais pessoas que precisavam ler. Então, aqui estamos!

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