Esse ano uma chave poderosa virou pra mim. Ou seria um ponteiro?

Eu passei a perceber o tempo como o único recurso da minha vida que eu não posso mais desperdiçar. Veja, eu posso desperdiçar dinheiro, se assim quiser, caso tenha determinação e meios para fazer mais dinheiro. Eu posso desperdiçar chances, se eu souber aprender com as perdas. Eu posso até desperdiçar pessoas, caso pense que nem todos os vínculos são pra sempre. Mas tempo não. Tempo, eu só tenho as 24 horas do meu dia, os 30 dias do meu mês, os anos da minha vida. E quando você se dá conta do quanto o tempo é limitado, esta escassez aumenta a valorização.

Talvez seja coisa da idade. Eu não tenho mais energia para estar em qualquer rolê. Aguentar qualquer turma. Pode ser também porque eu esteja trabalhando demais, e como freelancer eu sei o custo da minha hora – de trabalho ou de sono. Alternativamente, pode ser que a minha tolerância tenha ficado um pouco menor. Afinal, eu já gastei minha cota da vida com pessoas rasas, projetos falidos ou becos sem saídas. Então a tendência é que o meu filtro, hoje, seja mais rígido.

Colocando a parte todas as mudanças externas que são consequências da maturidade, outra coisa que acontece, é quando você chega a certa idade, o seu faro para perda de tempo fica mais aguçado. Você sabe quando o boy lixo tá te enrolando e já não perde mais tempo com suas desculpas. Já não toma café com qualquer cristão que decidiu que seus ouvidos são bons (e tão somente servem) para ouvir suas reclamações. Consegue diferenciar uma proposta de uma furada. E isso é uma habilidade primordial para sobrevivência ou até mesmo, paz de espírito, nesta vida que passa voando.

Até porque, meus queridos, vocês conseguem perceber que o que mais tem no mundo, é gente travestindo pepino de oportunidade? Não. Não me venha com o seu pepino!

Então agora eu aprendi a meter a plena, e finalmente decidi fazer o uso do bom e velho “não”. “Não tenho tempo, ‘infelizmente’. Não posso te ajudar. Não tenho interesse.” O não, essa caralha que eu queria ter aprendido a usar há bem mais tempo, é MUITO empoderador. O “Não” é a garantia de que você tem uma escolha, e que não vão te empurrar qualquer tralha terceirizada a goela baixo, assim, “pra não ficar chato”. Meu cu! Ninguém tem direito ao seu tempo. Só você e o Cara lá em cima. Oras!

E usar o não para o tempo dos outros, cria uma grande transformação na qualidade do tempo que foi dado a você mesmo. No meu último aniversário, uma amiga minha contou que fulana não ia à minha festa “porque ela tava numa fase que ela só ia onde ela queria”. Eu achei sensacional! Eu respeitei a atitude dela enormemente. Já pensou que saco, ter que fingir felicidade genuína, querendo estar em casa debaixo das cobertas, e mentindo na minha cara numa data tão importante pra mim? Que merda de presente seria esse? Não, obrigada.

Porque é exatamente isso que eu tenho feito. Usado meu tempo pra mim. Com aquilo e quem eu quero. Eu tenho passado mais tempo com meus pais, porque só eu sei o quanto um dia eu sentirei falta de cada minuto com eles. Eu tenho escutado mais os meus irmãos, porque graças a Deus, eles ainda gostam de falar comigo, porque né, piscou e lá vem a adolescência. Eu fiz uma limpa nas amizades que só me cansavam e sugavam energia. Naquelas de que, eu não desejo mal a ninguém, só distância mesmo. Tirei tempo para ouvir e tratar meu corpo. E para aprender a conversar com o cara que quer passar a vida comigo. Porque sei que quando a vagina secar e o pau cair, a gente só vai ter isso mesmo: tempo e conversa.

E desta forma, o tempo deixou de ser meu inimigo. Fizemos um pacto de harmonia em comum acordo. Nem ele corre demais, nem eu fico esperando. Eu não me apresso, mas ele também não me empurra. Tudo e cada coisa ao seu tempo.

Porque aprendi que meu tempo não é para qualquer um. Ou seja, se a proposta de dedicar o recurso mais limitado que tenho na vida não atender: A) a fazer o bem a mim mesma, alguém que eu amo muito, ou o bem ao próximo que realmente precise ; B) a um aprendizado importante; C) a algo que seja muito divertido; obrigada pela oportunidade, mas eu tô passando.

Eu não tenho mais tempo a perder não. Meus minutos estão todos dedicados a mudar o mundo ou a mim mesma. Obrigada pela “oportunidade”, mas arrume outra pessoa para descascar o seu pepino.

Imagem de capa: Iryna Inshyna, Shutterstock

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Antônia no Divã
Uma questionadora fervorosa das regras da vida. Viajante viciada em processo de recuperação. Entusiasta da escrita. Uma garota no divã figurado e literal. Autora do blog antonianodiva.com.br.

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