Diferente do que ouço por aí, não nasci para ser mãe. Antes que o moralismo da maternidade de conto de fadas comece a reinar, explico: desde que descobri que tem um ser dentro de mim, mil coisas passaram na minha cabeça. Algumas são alegres, outras angustiantes, existem as engraçadas, as preocupantes e as sem sentido algum. Há dias em que a irritabilidade é pior que dez TPMs juntas e outros em que acordo com um sorriso bobo sem saber o motivo. Ninguém me preparou para esse papel. E hoje acho que ninguém poderia. Volta e meia chegam conselhos bem intencionados sobre como deveria me sentir em cada etapa da gravidez, mas isso tem pouco impacto no final das contas. Escutar essas mães alivia, mas é na vivência que tenho aprendido a desconstruir o castelo que orgulhosamente construí sobre quem sou. O maior papel da minha vida não poderia permitir ensaios. Os livros, vídeos e conversas que diariamente tentam me alertar sobre esse mérito, são gotas d’água nesse oceano em que entrei sem preparação. E olha que ainda nem sei se carrego um príncipe ou uma princesa. Como também não sabia que não sentiria nada na primeira ultrassom e que choraria de alegria na segunda, ao ver meu bebê se mexer pela primeira vez. Por mais que todos digam que tudo muda quando se gera uma criança, nunca fui preparada para me ver mudando de opinião sobre certezas que carregava comigo, nem que ganhar peso é só mais uma das inúmeras mudanças que o meu corpo está passando (e costumo dizer que nem é a pior…). Jamais imaginei que minha vida seria contada a partir de semanas e que acharia tão bom ter a barriga crescendo. Mas também não sabia quantas dúvidas viriam com essa fase, nem sobre as restrições alimentares e como o prazer de comer pode ser substituído por enjoo, azia e refluxo. Por isso digo que certamente não tinha habilidades para ser mãe. E não acho que serei uma mãe ruim por isso, pois terei até o final da vida para aprimorá-la. Para mim, a experiência de ser mãe não veio como um dom, mas como um processo, cheio de surpresas, conquistas e até algumas frustrações, e eu tenho vivido as dores e as delícias de cada etapa com toda intensidade do meu coração.

Imagem de capa: Lyudvig Aristarhovich, Shutterstock

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Geovanna Argenta
Sou a segunda de um quarteto fantástico, que tem os pais como inspiração. Goiana de nascimento, fui amadurecida pelo calor do norte brasileiro, no querido Tocantins, onde cresci e criei laços eternos. Coração inquieto de natureza, morei um tempo nos Estados Unidos, na França e no Distrito Federal, até voltar para minha terra natal, a Capital do Amor (ou do Sertanejo, se preferir): Goiânia-Go. Jornalista de formação, especialista em Relações Internacionais e nos últimos anos trabalhando com marketing, sempre tive paixão por escrever. Desde os primeiros rabiscos que eu chamava de poesia aos 12 anos, o papel e a caneta (e nos últimos anos também o teclado), têm sido bons tradutores da minha alma. Apaixonada por família, viagem, livros, doces e o namorado. Há 27 anos uma virginiana curiosa, cheia de sonhos, dramas e paixões, prestes a viver a maior aventura da vida: ser mamãe.

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