Domingo, dia de folga da correria da semana, por volta das oito horas já estava acordada. Acordei cedo, muito cedo, aliás — penso com um sorrisinho preguiçoso. A noite foi maravilhosa como todas as outras. Não fizemos nada demais, nada de muito novo do que costumamos fazer. Ele, ainda dormindo um sono pesado. Geralmente sou eu que durmo assim — rio baixinho olhando-o. Saio do quarto e vou para o banheiro. Escovo os dentes, arrumo o cabelo prendendo-os apenas. Em nossa rotina é ele que levanta primeiro. Sendo aqui, ou quando dorme na minha casa.

Vou fazer café, penso. Eu nem tomo, mas, ele… ah, ama. Já disse varias vezes para pegar leve. Não me escuta. Ele sempre pergunta se quero tomar café quando acordamos. Provavelmente com intenção de me fazer alguma coisa bem gordurosa. Eu acordo sem fome e nada como, então ele se frustra um pouco. Que bonitinho, sempre tentando de alguma forma me agradar.

Depois de uns minutos retorno para o quarto pensando encontra-lo acordado e sentado na cama. Ainda dorme. Dorme pesado. Não consegui acordá-lo de imediato porque fiquei olhando e admirando essa pessoa que me encanta com gestos simples. Acho que o cansaço é devido à semana sempre corrida, dorme bem pouquinho e, sempre, quer ficar até tarde acordado comigo fazendo qualquer coisa que faça a gente estar juntos. Para aproveitar os nossos momentos; ele dizendo que me ama, eu dizendo que o amo. Não necessariamente nessa ordem. Certa vez eu chorei muito a noite com saudades da minha família do interior, ele me abraçou por toda a madrugada. Ele, disfarçadamente, chorou junto. Tentou esconder, mas percebi que minhas tristezas sempre o deixa triste. Ele me protege até quando não há o que ser protegido.

Pensando aqui, lembrei-me de como a gente se conheceu. Foi em uma sexta-feira à noite. Eu estava no trabalho e ele entrou para comprar alguma coisa. Já vai fazer dois anos. Desde então ele sempre está presente na minha vida. Da primeira troca de sorrisos ao primeiro abraço, esperamos quase seis meses entre conversas aleatórias pela internet. Ele não desistiu. Insistiu até quando a gente saiu pela primeira vez. Foi no dia do seu aniversário. Eu fui o “presente” dele, sempre diz isso com alegria. Ele diz que eu sou o presente da vida dele. Três meses depois o pedido de namoro.

Amor, acorda, digo baixinho e ele só resmunga. Lembro-me de todas as vezes que dormi aqui, na casa dele. Ele não me diz, mas reparei que se esforça para deixar a casa sempre, de alguma forma, arrumada. Sempre que dá sai um pouco mais cedo do trabalho para deixar as coisas prontas. Quando vai me buscar dá um jeitinho de me levar um chocolate, uma bala, um pequeno mimo. Coisas simples, mas é sempre de coração.

Eu amo “comidas cruas”, como ele diz. Vamos ao rodizio de japa, perguntei, ele respondeu de imediato “eu odeio esse tipo de comida”. Advinha quem me chamou para ir comer no dia que voltei de viagem quando ficamos trinta dias sem nos ver? Quem ama “comidas cruas” hoje em dia? É, meu bem, eu sei que você se esforça para me agradar, mas confessa aí nos seus sonhos — comigo! — que eu tenho bom gosto e, que meu bom gosto, te faz mais feliz. Ele provavelmente diria que sim. Até estipulou uma meta de conhecer um restaurante diferente por mês até final do ano, para avaliarmos as melhores opções de São Paulo. Vamos que vamos, amor, estou animada para isso.

Eu já conheci toda a família dele. Pai, mãe, irmão, cunhada, sobrinha, sobrinhos. Ele, já conheceu toda a minha. Inclusive, vive de “armação” com meus parentes para me fazer surpresas. No meu primeiro aniversário que passei com ele, armou com a minha tia — ah, tia, que dia! — e me tirou de casa, me fez passar nervoso de propósito, e quando voltei para casa com bastante bronca dele, festa surpresa me esperando. Chorei. Ele segurou-se para não chorar de alegria junto. No primeiro dia dos namorados, novamente, desta vez com minha vó… Armou para mim. Sempre assim. Eu já imagino a “surpresa” de um ano — que está pertinho — juntos, que já conversamos, será lindo.

Não larga. Ambas as famílias gostam da gente. Gostam da gente juntos, já que sabem que existe muito amor sendo nutrido reciprocamente. Aparentemente, eles torcem para que fiquemos juntos. Acho que o amor precisa muito disso, penso: além do amor entre o casal, o incentivo dos familiares, dos amigos, das afinidades. A gente tem tudo isso.

Ele dorme com calma e sem pressa de levantar. Essa é a paz que a gente tem um com o outro, dividindo os momentos, as tristezas, as alegrias. De vez em quando a gente briga, até terminamos por um breve momento. Um mês separados. Lá no futuro esse “um mês” não representará nada em nossa felicidade simples de compartilhar a felicidade de viver um com o outro. Esse é meu homem. Esse é o homem que me ama e fará tudo para me ver feliz, como ele diz: farei-lhe feliz, custe o que custar.

Imagem de capa: Augustino, Shutterstock

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Luverlandio Silva
Nasceu no Piauí e cresceu em São Paulo, mora atualmente em Santo André – SP. Apaixonado pela área de exatas, mas tem o coração nas artes e escrita; trabalha e defende o meio ambiente e, as causas naturais: sentimentos; afetos; amor.

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