Esses dias li um texto que me tocou profundamente e me fez refletir sobre o quanto nós temos resistências internas ao florescimento do amor. Um texto de autoria de Juliana Santin que falava sobre a maior de todas as revoluções, que é a revolução do amor. Transcrevo abaixo o trechinho dele que me inspirou a escrever sobre esse tema.

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“Os adultos normais não gostam de si mesmos, não gostam de seus casamentos e não gostam do seu trabalho”.

Patch Adams resolveu que ia criar um hospital onde imperassem as seis qualidades que ele considera fundamentais: feliz, engraçado, amoroso, cooperativo, criativo e pensador – que, no final das contas, resumem-se mesmo em amor.

“Mas percebi o quanto era difícil chegar perto das pessoas em um mundo muito suspeito com relação ao amor”. Assim, ele decidiu vestir-se de palhaço como uma forma de poder dar amor sem receber resistência das pessoas.

Patch Adams busca criar uma relação com as pessoas que ajuda, ou seja, uma troca. Não é um trabalho voluntário aleatório, uma coisa para cumprir tabela. É a vida dele, pois ele percebeu que o amor é uma via de mão dupla. É necessário que haja um caminho de ida e volta do amor. Ninguém consegue entrar na casa do outro mantendo suas portas fechadas.

Juliana Santin

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Achei lindo quando ela citou as palavras do Dr. Patch Adams dizendo que as pessoas suspeitam do amor dedicado por outrem, como se fosse algo falso ou com segundas e terceiras intenções, parafraseando o mestre Cazuza.

Por esse motivo que ele se fantasia de palhaço, para conseguir expressar seu grande amor pelos pacientes sem correr o risco de ser mal interpretado ou ter sentimentos de aversão da parte deles.

Fiquei um bom tempo refletindo sobre o quanto nossa sociedade está adoecida e precisando dessa revolução de amor. É possível compreender esse adoecimento, já que notícias desastrosas e amedrontadoras nos são transmitidas diariamente pelas grandes mídias, dessa maneira ficamos todos meio pé atrás na hora de expressar o que sentimos.

Quero inclusive citar uma experiência marcante que tive no ano passado. Participei de um evento gratuito com atividades de Psicomotricidade, que é um dos diversos ramos da Psicologia, e nesse evento foi realizada uma atividade lúdica maravilhosa, difícil de descrever num texto como esse (na realidade nem me atrevo, porque ninguém entenderia). Nessa atividade todos que estavam presentes correram, pularam, deram altas gargalhadas, alguns até se pisotearam por descuido. Mas calma! Ninguém se machucou OK?

No final houve um momento de relaxamento tão bonito e profundo que as pessoas, na maioria desconhecidas, foram se aproximando e aproximando cada vez mais, de modo que no final estávamos todos abraçados cheirando o suor uns dos outros.

No momento de partilha final, algumas pessoas relataram que ficaram impressionadas de como uma atividade simples fez com que retirassem de dentro de si todas as barreiras, todas as cascas e carapaças para evitar o contato mais próximo com desconhecidos. Foi lindo! Todos saímos de lá nos sentindo leves e com o coração cheio de amor e carinho, que foi transmitido sem reservas ou resistências.

Esse foi um dos meus melhores dias em 2017, porque foi uma experiência absolutamente surpreendente, fui pra lá sem a menor noção do que aconteceria e se deu essa maravilha, capaz de curar alguns corações gélidos.

Você certamente já escutou pessoas dizendo que o amor é algo que só cresce à medida que o oferecemos aos outros não é? Mesmo sendo clichê é a mais pura verdade. Nossa sociedade está adoecida como está porque estamos economizando nossos afetos. Estamos com medo de expressar nossos sentimentos mais puros e nobres, e o resultado disso são pessoas cada vez mais tristes e doentes, o que foi amplamente explanado pela querida Juliana Santin no texto compartilhado acima.

Olhe para você! Será que também não está deixando as portas do seu coração trancadas à setes chaves? Desse jeito não existe a possibilidade de ninguém entrar. Só atravessam paredes os fantasmas! E mesmo que pareça brincadeira, na realidade acontece algo mais ou menos assim. Se você fecha o seu coração, abrirá espaço para que receba influências obsessoras, e saiba que não estou falando apenas de espíritos viu? A obsessão vem da própria atração energética de pessoas e situações que lhe obrigarão a jogar fora todas essas camadas de medo, de receio, de fuga etc.

A vida por si só já se encarregará de lhe proporcionar as experiências certas para retirar todas essas resistências, talvez de forma meio dolorosa, para que possa aprender.

Venho com esse texto lhe levar a refletir para que siga por um caminho mais simples. Não crie essa resistência tão grande, porque o amor é algo que só cresce à medida que o espalhamos. Escancare as suas portas e deixe que esse amor toque muitos corações, e claro! Que o amor dos outros também chegue até você.

Paz e luz…

Imagem de capa: Mooshny, Shutterstock

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Isaias Costa
Bacharel em Física. Mestre em Engenharia Mecânica e Psicanalista clínico. Trabalha como professor de Física e Matemática, mas não deixa de alimentar o seu lado das Humanas estudando a mente humana e seus mistérios, ouvindo seus pacientes e compartilhando conhecimentos em seu blog "Para além do agora", no qual escreve desde 2012.

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