Meus olhos são de chuva, bem sei. E por mais que chova toda a triste nostalgia que me mora, não consigo aliviar. Não se esvai. Ainda fica impregnado em cada parte do meu corpo, pensamento e alma. Coração. E, doentia, faço questão de cutucar as feridas que eu mesma causei, recordando músicas, relendo frases e relembrando histórias.

Estou me doendo inteira.

Pois nunca tive certeza plena, sempre me sobraram expectativas, como se tudo tivesse sido apenas um sonho bom do qual eu acordei e não voltei mais a sonhar. Na verdade, penso mesmo que nem durmo, por medo de entrar nesse conto e doer ainda mais ao sair. É algo que não mais me pertence e, então, não devo. Por mais que ainda queira.

Adoeço.

Só.

Desfaço meu coração em mil pedaços e suspiro toda essa agonia que nunca irá me deixar. Sim, tenho toda garantia de que tudo que morou em mim não deixará de morar e eu tenho apenas que aprender a conviver. Coisa tua, marca tua. Feito tatuagem, não há como remover. Apenas fingir não ver.

Mas eu cansei de fingir, cansei de trancar minha saudade e engolir essas lágrimas amargas. É fim. Preciso por um ponto final atrás das minhas reticências.

Agora, paciência.

Imagem de capa: Mila Supinskaya Glashchenko, Shutterstock

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Mafê Probst
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha abraçar o mundo e se espalhar por aí. Nascida e crescida no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol e frutos do mar.

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