Por Isabela Nicastro – Sem Travas na Língua

Não existe mais o edredom que nós dormíamos. Precisei trocá-lo por conta de alguns rasgos, depois de tanto tempo de uso. O meu perfume também não é mais o mesmo. Enjoei daquele que você tanto gostava, talvez porque ele me lembrasse você a cada vez que eu usava. Meu cabelo está levemente mais curto e repicado, acredito que você nem vá reparar. Aliás, talvez você não repare em várias coisas que mudaram mas, felizmente, elas mudaram.

E agora, depois de dois anos, você começa a dar indícios de que quer voltar. Começa a se reaproximar aos poucos, com algumas curtidas sutis nas fotos das minhas redes sociais, um “oi” esporádico e conversas sobre marcar alguma coisa. Eu correspondo. Falo sobre saudade, sobre como tudo acabou de uma forma conturbada e sobre minhas outras paixões depois de você. Afinal, depois de tanto tempo, a mágoa parece ter passado. No entanto, a afinidade e o sentimento talvez ainda permaneçam. Resta saber se a hipótese é verdadeira.

Por isso, a gente vai se encontrar. A gente vai se ver, conversar sobre o passado e o presente, apesar da minha insegurança. Confesso que tenho receio de que a história anterior se repita. Junto com o sentimento, que retorna na mesma intensidade, retornam também os problemas. As minhas reclamações quanto à sua bipolaridade. As minhas lágrimas diante de não saber ao certo o que você queria. Além disso, tenho medo de que o fim seja o mesmo: nós dois, solitários, separados e magoados.

Seria bom saber o que o futuro nos reserva. Se o destino me fosse revelado, com certeza, eu evitaria o sofrimento. Não iria te encontrar, pois, desde já, saberia que o fim era apenas uma questão de tempo Ou, quem sabe, me jogaria nos seus braços com a certeza de que ficaríamos juntos e construiríamos a nossa própria história. Uma visão do futuro seria ótimo não só para nós, mas para todos os relacionamentos. Seria a solução para as incertezas da vida. Será?

Pois é, se eu soubesse o que iria acontecer daqui a algum tempo, eu jamais viveria tudo o que vivi até aqui. Você não conheceria o meu edredom macio e aconchegante, não sentiria a textura do meu cabelo cacheado e o meu cheiro jamais ficaria na sua blusa. Eu não provaria do teu beijo, talvez um dos melhores beijos dentre tantos por aí. Eu não me apaixonaria e, independentemente do desfecho, eu não viveria todas as experiências que vivi ao teu lado. Sobretudo, você não reconheceria minhas mudanças.

Pensando bem, eu viveria tudo de novo. Sem todas as decepções e todas as alegrias, eu não seria o que sou hoje. Não teria mudado, não só no corte de cabelo, mas em tantas outras coisas mais importantes. Graças às incertezas da vida, é que eu continuo agindo e definindo o meu próprio caminho. Se tudo fosse certo, de nada adiantariam minhas escolhas. E as suas também. Somos livres e, por isso, construímos a nossa própria história. Seja ela com um final feliz ou não.

ps: Quanto ao desfecho, deixemos que os nossos corações e as mudanças o definam. Boa sorte para nós!

Fonte indicada: Sem Travas na Língua

Imagem de capa: Mila Makeeva, Shutterstock

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Isabela Nicastro
Capricorniana, 23 anos, jornalista. Apaixonada por mar, cães e cafés da tarde em família. Não dispenso bacon e muito menos uma boa história. Meu coração é intenso e grita mais do que a razão. Tenho o sentimento como guia e a escrita como ferramenta.

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