Aprendemos a falar ainda bebezinhos, a ouvir ainda na barriga da mãe. Nosso olfato também se desenvolve nessa época. Porém, um dos sentidos mais importantes nós só desenvolvemos na sala de aula.
É o professor e a professora que nos ensinam a olhar. Olhar o mundo, perceber a vida, enxergar as oportunidades. Entender como as coisas funcionam (ou deveriam funcionar).

É na sala de aula que a criança aprende a ler – talvez um dos maiores poderes já dados ao ser humano. E quando uma criança aprende a ler, meu amigo, ela cria asas para a dimensão da fantasia.

Na sala de aula é que a criança aprende a primeira letra do alfabeto e a juntar essa com todas as outras. São os “tios” e “tias” que ensinam às crianças a importância da comunicação e como as palavras têm vida.

Também é na sala de aula que os pequenos sonham seguir os exemplos de seus professores e professoras, talvez já sabendo que a educação pode mudar o mundo. O meu, o seu, o de todo mundo.

Vivemos em uma sociedade de classes – o que torna tudo mais desigual. Para completar o quadro negro da educação, as escolas públicas sofrem o peso da incapacidade dos políticos, bem como de suas genialidades para roubar o dinheiro das carteiras, do giz, da merenda, da aula de capoeira e do salário de quem faz tudo isso acontecer.

A criança que sonha um dia compartilhar o que aprendeu, ainda não sabe o que há por trás do sorriso de quem a olha com afeto desde o primeiro dia de aula. Atrás do amor que sustenta a missão do professor – e que é certamente o que o faz continuar, há uma vida dura e cheia de recomeços.

O salário que não paga as contas, a falta de estrutura para trabalhar, o peso de carregar nas costas a responsabilidade de educar crianças que já nascem destinadas ao fracasso e a dificuldade de convencê-las de que isso não precisa ser verdade, será que é simples a missão de quem educa?

Precisamos assumir essa luta junto com eles e buscar a solução como quem procura a cura do câncer. A falta de educação é o câncer da sociedade e quem morre não somos nós, mas os sonhos daqueles que ocuparão as Câmaras e os Congressos por aí.

Se a educação não pode salvar o mundo, quem mais o fará?

Imagem de capa: Yuganov Konstantin, Shutterstock

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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