Ancorei nos olhos dela como um navio no meio do oceano. Vi e revi na sua retina todos os motivos antes desencontrados. Pasmei e plasmei, tudo ao mesmo tempo. É que a cor dos olhos dela pintam também a minha íris – que se abre como a flor na sua melhor fase.

Se o olho é o espelho da alma, olha que louco, o dela também é o reflexo do meu corpo inteiro, que suspira a cada abraço sem fim. Certa vez, isso já faz algum tempo, li sobre os benefícios de acordar ao lado de quem a gente ama.

Eles chamavam isso de “alegria”, mas creio que não fazem ideia do que é acordar ao lado dela. Alegria é muito pouco, pois abrir os olhos e encontrá-la protegida no sono mais bonito, ah, isso é quase um milagre.

É que já entendi o que meu barco pensou quando a escolheu como porto. É que não há outro lugar que me faça ancorar assim. A menina dos meus olhos tem uma pupila capaz de transformar a luz do mundo, do meu mundo. É que a luz dos olhos dela me arranca da escuridão em um piscar do tempo.

Tempo que só a deixa mais bonita. É incrível como os dias que passam levam tudo embora, menos a beleza dela. E quando ela mexe o cabelo, e quando escolhe a roupa do dia, e quando passa o café, e quando esmaece nos meus braços como aquela flor na sua melhor fase, a mesma que iniciou esse texto.

É onde a minha felicidade mora.

E todos os dias eu agradeço e me compadeço com quem não têm um amor assim. E peço a Deus que me dê saúde para amar, amar e amar seus olhos, sua boca, seus sonhos e todo resto que ela tem. E quando faltar coragem, ou quando faltar tempo, que eu seja a esperança e o relógio se multiplicando.

O amor é mais importante, mas não seria se fosse outra em seu lugar. É que ela me transforma a cada dia e me permite ser a melhor de todas as minhas versões. É a íris, a pupila, o contorno dos olhos e toda a luz que o conjunto irradia no meu inteiro.

É que o amor chegou pra mim embrulhado em fita vermelha, com nome, sobrenome e tudo mais que eu pedi a Deus. É que a gente se entende como poucos nessa vida e toda vez que meus passos saem da trilha, ela me traz de volta ao caminho.

E anda comigo – nem atrás e nem na frente.

Ao meu lado.

Imagem de capa: Anastasiia Fedorova, Shutterstock

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Ju Farias
Não nasci poeta, nasci amor e, por ser assim, virei poeta. Gosto quando alguém se apropria do meu texto como se fosse seu. É como se um pedaço que é meu por direito coubesse perfeitamente no outro. Divido e compartilho sem economia. Eu só quero saber o que realmente importa: toquei alguém? É isso que eu vim fazer no mundo.

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