Pamela Camocardi

Pessoas fúteis são chatas, mas as indecisas são muito piores

Imagem de capa: Ollyy, Shutterstock

“Você que sabe” não é resposta, pedir “um tempo” não é um direito e dizer um “e aí sumida?”, não te dá livre acesso para voltar. Essas são algumas das atitudes dos indecisos que, além de precisarem da aprovação dos outros para tomarem decisões, brincam com o sentimento alheio como quem joga Xbox.

Vizinho barulhento irrita, gente fútil mais ainda, mas gente indecisa, supera tudo que houver no universo! Não me refiro a não saber em que restaurante comer, que roupa escolher para sair ou que faculdade cursar. Refiro-me a usar do amor e da paciência do outro para se beneficiar da vida de solteiro.

“Gosto de você”, mas não sei se quero me relacionar. “Você é perfeito”, mas não estou pronta para assumir nada. “Vamos dar um tempo e deixar a saudade decidir por nós”. Por favor, parem! Vamos deixar claro uma coisa: a decisão da sua vida não está nas mãos de ninguém. Se o outro é indeciso, você não precisa ser.

Pessoas indecisas são imaturas, inseguras e chatas! Elas não querem assumir um compromisso, mas também não querem que o outro seja livre. A verdade é que elas querem o melhor das duas partes: a liberdade de estar solteiro, com o comodismo em ter alguém quando quiserem.

Confesso que pessoas assim me assustam. Gosto de objetividade, mensagens diretas, decisões certeiras. Não sei lidar com a indecisão do outro.

Pessoas com vontades próprias, mesmo que sejam contrárias as minhas, me fascinam. Por outro lado, pessoas que estão sempre em cima do muro, me dão pavor, porque se não conseguem decidir o que querem para suas próprias vidas, imagina o que não farão com as dos outros.

Desde muito cedo aprendemos a tomar decisões que envolviam renúncias (o que, talvez, explique porque tanta gente tem medo dela). Decidimos a faculdade, o emprego, a cidade que vamos morar, se vamos casar, se teremos filhos…e assim por diante. Mas, quando as decisões envolvem os sentimentos alheios a história é diferente. Se é difícil tomar uma decisão, imagina escutar um “eu gosto de você, mas…”

Não dá para manter um relacionamento com quem some toda vez que alguém pergunta quando vocês irão casar. Não dá para ser porto seguro de quem não sabe se ama ou se está carente. Não dá para manter perto quem não se comprometeu a voltar amanhã. Sua vida é sagrada demais para que um indeciso dite as regras.

Deixe ir. A decisão em partir ou não pode ser do outro, mas aceitar a volta e as desculpas esfarrapadas é uma decisão sua.

Pamela Camocardi

A literatura vista por vários ângulos e apresentada de forma bem diferente.

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