Imagem de capa: Yuganov Konstantin, Shutterstock

“A vida começa todos os dias”
Érico Veríssimo

Mais um ano terminou e, inevitavelmente, começamos a retrospectiva interna. Foram tantos sonhos rabiscados em papéis avulsos com as cores da esperança, tantos desejos que ficaram para trás e se transformaram em frustração. Não queremos olhar novamente aquele projeto que não vingou, aquele amor que era só de fachada, aquela amizade que era puro interesse.

Pois é, a vida tem dessas coisas, mas a vida é, principalmente, resposta do que fazemos, e às vezes, somos bobos demais, cedemos espaço antes de saber o que é, se é de verdade ou não, se há alguma reciprocidade do outro lado, se é somente coisa passageira, que cumpre o ciclo e esvoaça.

Mas não é para se angustiar não, somos nós que mudamos as coisas de lugar ou as devolvemos para o lugar de origem. A nossa potência está na capacidade de reviravoltas incríveis, mesmo quando tudo diz não e não há claridade. Sonhos não possuem data de validade e podem ser ressonhados com detalhes maiores, com estratégia, paciência e determinação.

As chances sempre estiveram aí, por todo lado e em lugares não imaginados. Só precisamos ter cautela e consciência de que tudo tem hora certa para acontecer e nem sempre coincide com o prazo desejado. Sempre é hora de resgatar aquele desejo que grita por dentro. Eu sei, a gente cria expectativa e se imagina já com aquela possibilidade concretizada do jeito que sonhamos, com todos os adornos de nossas esperas, com toda gente que sonhou junto e fez do nosso sonho o deles também. Mas, não se culpe por ter criado a expectativa. Faz parte esperar com tanta força. Só não podemos deixar que o esperar se torne um desesperar.

Sofrimento e sonho são duas atmosferas distantes e distintas. A espera é a certeza de que algo foi feito com esmero. Dentro desse lugar onde o sonho repousa enquanto vai ganhando consistência, também existe lugar para outros voos, outras incursões e ousadias. Tentar mais uma vez quando tudo parecer desastre e ruína, de novo e sempre que cair.

Não é para provar nada para ninguém. Não se trata disso. A potência sempre esteve dentro e não importa se é virada de ano, está tudo aí. Já iniciamos um novo ano, mas essa é só mais uma alavanca nesse mundo de possibilidades que é estar vivo. “A vida começa todos os dias”.

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ESTER CHAVES é uma escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participa de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. Em junho de 2016, teve o conto “Os Voos de Josué” selecionado na 1ª edição do Prêmio VIP de Literatura, da A.R Publisher Editora.

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