Não tenho medo de ficar sozinho. Não me vejo mais acompanhado simplesmente para ter uma mudança no status de relacionamento, para ir naquela reunião dos amigos, fazer viagens em famílias e expor fotos românticas em lugares paradisíacos. Não, isso não me interessa. Porque quando as portas se fecham, muitos amores acabam resumidos em desafetos, egos e solidões.

Normalmente, quando você conhece alguém é natural que, dadas algumas afinidades, do desejo transformar-se em euforia. A pessoa certa que chegou, o amor que estava à espera. O coração bate acelerado, os planos vão tomando forma e, mais adiante, juntam-se escovas de dente, pernas debaixo das cobertas e todo um aparato necessário para que nos sintamos naquilo conhecido como um relacionamento sério. Mas existe toda uma legitimidade esquecida ou ignorada por muitos. No caso, o diálogo. Deixar de adentrar no universo do outro, conhecendo suas nuances, qualidades e defeitos, implica, meses depois, naquelas inúmeras discussões e cobranças sem sentido. Você não era assim no início – você diz no primeiro ruído. É o começo do fim. Do respeito, carinho e qualquer outro sentimento complacente.

Infelizmente, esses resultados pertencem aos corações preguiçosos. Daqueles que preferem nublar a própria personalidade na esperança da conquista. Os motivos podem ser variados, indo da carência até alguma necessidade manipuladora. Mas em comum, praticamente o mesmo destino; o medo da solidão. Então estar com alguém sempre significa vislumbrar a possibilidade de escapar desse abismo solitário? Não. Acredite, nem todos os amantes caminham através de um querer tão simplório. Alguns definitivamente ocorrem pela soma, bom senso e por uma admiração mútua da companhia. Talvez, a escolha mais urgente, seja a de reconhecer que nem sempre estar acompanhado é garantia de êxito no amor. Você pode passar uma vida inteira sem adentrar nos abraços cálidos de um amar e, ainda assim, permitir-se nada menos que o seu próprio cuidado.

Não tenho medo de ficar sozinho, sinceramente. A solidão não me incomoda. O que entristece são os que escolhem uma companhia para permanecerem solitários. Reféns de si, algemam o outro. Recordemos por um segundo que, amar, é ir de encontro ao avesso.

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Guilherme Moreira Jr
"Cidadão do mundo com raízes no Rio de Janeiro"

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