Título Original: Silêncios que ferem

Alguns silêncios falam. Gritam tão alto que são capazes de transmitir mais sentimentos que muitas palavras ditas ou escritas.

Traduzem o fim de um tempo, a indiferença natural ou forçada, a necessidade de ser notado ou esquecido.

“Todo silêncio tem um nome, tem um motivo…” A frase, atribuída à Clarice Lispector, tem muito a dizer. Pois o silêncio pode ser sintoma de saudade, de “sinto a sua falta mas não há mais nada a ser dito”; ou mágoa: “fui ferido por você, e em vez de revidar com palavras lhe dou o meu silêncio”; ou finalmente indiferença e frieza: “meu silêncio é minha alma tranquila e em paz longe de você”.

Silêncios falam alto para quem espera por uma resposta. É a mensagem visualizada e não respondida mesmo passadas 72 horas, é o sumiço de alguém que costumava fazer barulho o tempo todo, é a falta daquela risada deliciosa, é a impossibilidade de ir atrás de alguém que não quer mais ser encontrado.

O silêncio é uma arma poderosa mesmo para quem não tem a consciência de estar numa batalha. Porque dentro do silêncio cabem inúmeras interpretações, e pode enlouquecer quem fica esperando só, com suas inquietações.

Mas também pode ser o empurrãozinho que faltava para aquele que espera virar o jogo. Porque ser tratado com silêncio demorado é viver enclausurado. É aceitar o cárcere da falta de conclusões e respostas, é permitir ser manipulado pela ausência de sinais. E talvez seja hora de descobrir que quem muito se esconde, uma hora deixa de ser lembrado.

O silêncio é necessário e carrega inúmeros significados. Mas quando é usado para manipular e ferir, deixa de seguir um caminho de coerência com o coração para ser uma arma inconsequente da razão.

Nem todo mundo ama da maneira certa, e muita gente se apega aos amores rasos e errados. Há que se ter cuidado com o silêncio. Com o silêncio que provocamos ou que é provocado em nossa vida. E coragem para abandonar silêncios que ferem, pois o bom da vida é encontrar respostas no amor que damos e de graça ofertamos…

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Fabíola Simões
Escritora mineira de hábitos simples, é colecionadora de diários, álbuns de fotografia e cartas escritas à mão. Tem memória seletiva, adora dedicatórias em livros, curte marchinhas de carnaval antigas e lamenta não ter tido chance de ir a um show de Renato Russo. Casada há dezessete anos e mãe de um menino que está crescendo rápido demais, Fabíola gosta de café sem açúcar, doce de leite com queijo e livros com frases que merecem ser sublinhadas. “Anos incríveis” está entre suas séries preferidas, e acredita que mais vale uma toalha de mesa repleta de manchas após uma noite feliz do que guardanapos imaculadamente alvejados guardados no fundo de uma gaveta.

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